Casos ClÃnicos

Muitas pessoas temem buscar ajuda profissional por terem vergonha do que sentem, acreditando ser algo tão absurdo que seja melhor esconder, ignorar, ou que nenhum profissional poderá ajudá-la.
O objetivo que me levou a escrever esta seção foi para mostrar que problemas psicológicos, psicossomáticos, ou emocionais, não precisam ser padronizados ou ter uma lógica racional. E ainda que pareçam por demais estranhos, e até ridÃculos, a maioria dos pacientes consegue obter bons resultados com a hipnoterapia. Alguns chegam a ficar totalmente livres do problema de forma quase imediata, embora não seja possÃvel estipular previamente as respostas ao tratamento, justamente, por se tratar de algo único e especÃfico.
Abaixo descreverei alguns dos casos que atendi ao longo de 10 anos trabalhando com intervenções por hipnoterapia e terapia cognitiva comportamental. Não houve uma seleção e organização prévia dos casos, pois esta idéia de transcrever esses casos surgiu após me deparar com algumas antigas fichas de pacientes. Transcreverei a natureza de alguns problemas que afligem as pessoas sem, no entanto, estruturar o caso clÃnico completo. Os exemplos servem como evidência de que problemas comportamentais são comuns a maioria das pessoas normais, sem que isso seja considerado “coisas de louco”.
Alguns casos são mais detalhados, enquanto outros descrevem apenas os aspectos gerais dos pacientes e das queixas:
C.C.1) Homem, casado, funcionário público, nascido em 1978, tem 1 filho, mora com esposa, filho, sogra, sogro e cunhada, sem histórico de tratamento psicológico anterior. Queixa Principal: dificuldade de transar com a esposa em motéis; tem impotência quando sua esposa toma iniciativa; pensamentos intrusivos vem à mente; teme o julgamento alheio.
C.C.2) Homem, solteiro, estudante, nascido em 1982, mora com duas irmãs, um irmão, pai e mãe, faz uso de anticonvulsivante. Queixa principal: sofrimento devido a rompimento de namoro com a namorada e crise em relação ao seu papel social.
C.C.3) Mulher, divorciada, auditora, nascida em 1957, tem uma filha, mora com a filha. Já fez tratamento psicológico anterior por 2 anos e 6 meses, fez tratamento com PNL, toma Apraz 1mg 2x ao dia. Queixas: estresses, problemas profissionais. Sintomas: depressão.
C.C.4) Homem, noivo, recém formado, 24 anos, sem antecedentes de tratamento psicológico anterior. Queixa: pensamentos intrusivos (que provocam comportamento obsessivo-compulsivo). Histórico: paciente natural de Fortaleza-CE resolveu ir a São Paulo em busca de um emprego melhor para ajudar a realizar seu sonho, casar. Ao chegar à capital, a imensidão da cidade e o ritmo frenético, somado a indiferença das pessoas, o fez se sentir deprimido. Passou a ficar em casa, apenas esperando os dias para retornar à Fortaleza. Nesse perÃodo, por volta de dois meses, perdeu peso e entrou em depressão. Foi quando um amigo o convidou para assistir ao filme Paixão de Cristo que estreava nos cinemas. O paciente, muito religioso, achou o filme chocante e, nos dias seguintes, passou a ter pensamentos intrusivos imaginando cenas de sexo entre os personagens bÃblico do filme. Ao retornar à Fortaleza, continuou a ser atormentado pelos pensamentos, que o fazia ficar muito tenso, andando de um lado para o outro. Tal fato passou a ameaçar seu casamento já com data marcada e o mesmo chegou aflito para a consulta, acompanhado de sua noiva que ajudou a descrever o problema. Tratamento: realizado em uma sessão por hipnoterapia via intervenção paradoxal.
C.C.5) Mulher, casada, três filhos (9, 13 e 15anos), Funcionária Pública Federal, Nascimento 1962, mora com marido e filhos, fez tratamento psiquiátrico por anos e 6 meses, medicamento: Lexotan. Queixas Principais: Estresse, problemas conjugais, estresse no trabalho, preocupação com a educação e saúde dos filhos. Estratégia Inicial: determinar temática cognitiva, pois as queixas são difusas e incompreendidas pela paciente.
C.C.6) Mulher, Sem ocupação, nascida em 1969, tem uma filha de 10 anos, já fez tratamento psiquiátrico anterior em que lhe foi prescrito ansiolÃticos e antidepressivos. Relata ter tido disritimia cerebral quando criança e que passou recentemente por problemas de separação conjugal, estresse, morte de amigos ou parentes e problemas profissionais. Queixa Principal: “tudo”. Estratégia Inicial: determinar temática cognitiva, pois a queixa é generalizadora e incompreendidas pela paciente.
C.C.7) Mulher, solteira, médica, nascida em 1976, fez tratamento psicológico anterior por 6 meses, sem histórico de uso de medicamentos psiquiátricos. Queixa Principal: Gostaria de fazer treinamento cognitivo através da hipnose para estar melhor preparada emocionalmente para realizar a prova de seleção em residência médica.
C.C.8) Homem, solteiro, médico, nascido em 1978, fez tratamento psicológico anterior por 3 meses, sem histórico de uso de medicamentos psiquiátricos. Queixa Principal: Gostaria de fazer treinamento cognitivo através da hipnose para estar melhor preparado emocionalmente para realização da prova de seleção em residência médica.* Háistórico de competição entre irmãos.
C.C.9) Mulher, professora, nascida em 1952, separada há 6 anos, Natural de Quixeramubim, tem quatro filhos, sem histórico de tratamento psicológico anterior, fez uso de medicamento psiquiátrico (Frontal 1/2 caixa), sem antecedentes de problemas emocionais recentes. Queixa Principal: Se preocupa por “ser uma pessoa inútil”. Relata dores no pescoço, clavÃcula, nãso mãos, ao se levantar a dor é pior pela manhã. “São 24h de dor, só passa quando tomo Viox, melhora 90%”.. “É a própria morte”. Descrição autobiografica: Sua mão era domestica, muito passiva, concordava com tudo. Pai dono de mercantil, era muito rÃgido, só pelo olhar a intimidava. Obrigava todos os irmão (ele é a 4a de 5) a ir à missa. Na adolescência começou a namorar aos 16 anos, casou quando ia completar 20 anos. O primeiro filho nasceu quando tinha 21anos. Foi fazer faculdade depois do quarto filho. O que mudaria na sua vida? Acha que casou nova, sem experiência. O casamento durou 25 anos. Observação: separação coincide com fase de afastamento dos filhos, término das faculdades, empregos, etc. A função mãe que a focava no casamento (obrigação de cuidar dos filhos é atenuada), provavelmente, este fator foi o que a fez continuar casada por tanto tempo, já que o marido parece inexistir no seu discurso. A reação depressiva surge na tentativa de recomeço e ao julgar negativamente o tempo transcorrido como “tempo perdido”, talvez somado a percepção da idade e perca de juventudo, ajude a construir um quadro deprimido. A dor tem um papel importante na somatização das angustias.
A lista continuará, em breve…
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