Demonstração Hipnose Odontologia
Hoje fui convidado para dar uma aula sobre hipnose para uma turma de odontologia. O convite partiu da minha orientadora de pré-doutorado, Marilyn Nations, antropóloga médica americana, doutora em Harvard, mas que vive há 20 anos no Brasil.
A aula iniciou por volta de 7:50 da manhã e eu tinha, aproximadamente, 70 minutos para sintetizar o que se tratava a hipnose. Por questões técnicas não havia disponibilidades tecnológicas, como computador e projetor, o que foi até bom, pois pude me focar mais na reação do alunos e mostrar algo breve e marcante.
Da mesma forma que não realizo hipnoses padronizadas, também não realizo palestras padronizadas, fiz alguns rabiscos no papel para guiar minhas idéias e busquei envolver os alunos em temas que faziam parte do universo deles, como o atendimento a pacientes com fobias a dentistas e outras situações que ilustravam a limitação da biomedicina em tratar os aspectos psicológicos. Costumo falar em intervenções mente-corpo, sendo a hipnose uma das modalidades, ao contrário da biomedicina que trata, predominantemente, via corpo-mente, com sua industria de prozac, inibidores de sono e apetite, etc.
Após desenhar no quadro uma visão psicológica da dor (conforme figura)
, passei a dar alguns exemplos de como as intervenções mente-corpo e a hipnose podiam ser utilizadas para inibir a dor, modificar a fisiologia do organismo e, no caso da odontologia, relaxar e descondicionar o famoso “medo do dentista”.
Essa parte da apresentação passou rápido, quando olhei o relógio me restavam aproximadamente 25 minutos e não poderia faltar a parte vivencial, então, bola pra frente!
Primeiro exercÃcio, uma espécie de quebra-gelo, já que todo mundo fica com um pé atrás ao ouvir falar de hipnose, sempre associando-a à s palhaçadas que viram na televisão, vocês sabem, supostas “autoridades no assunto”, especialmente no que se refere a Ética, que vão para TV fazer pessoas comerem cebola, imitarem macaco, ou, o pior de todos, difundir a idéia de que com a hipnose se domina a mente das pessoas. Por isso, o exercÃcio inicial consistiu eu realizar uma imaginação guiada, em que elas realizavam mentalmente uma atividade, e ao fazer isso, o corpo mostrava sua reação a essa imaginação.
Depois convidei todos os alunos a ficarem de pé, um pouco afastados uns dos outros e desenvolvi com eles um exercÃcio que eles se imaginavam em uma praia, sentiam-se como se fossem um coqueiro, com o ar batendo em seu corpo, o cheiro da brisa do mar, o som das ondas… à medida que sentiam -se livres, balançando suavemente conforme o soprar do vento.
Após esses dois breves exercÃcios, me restava algo em torno de 10 minutos e, como gostaria de mostrar algo mais prático, ligado ao dia-a-dia do dentista, escolhi uma pessoa para me dedicar mais ativamente a eliciação da hipnose. Convidei uma garota de branco que estava à minha frente, seu nome, Luciana. Coincidentemente, ao ser escolhida, ela se levantou e disse: “eu estava sentido que ia ser comigo”, será que foi mesmo coincidênicia? Será que eu estava lendo os pensamentos dela, algo mais do campo do sobrenatural do que da hipnose? Claro que não, a única coisa que eu tive acesso foi ao seu comportamento não-verbal que me dizia que ela, e mais outras seis pessoas da sala, já possuiam um talento natural para entrar em transe.
Então, diante da sala, realizei mais dois breves exercÃcios com a Luciana, o de atração para trás e o exercÃcio das bolinhas que mudam de peso. Ahh, ia esquecendo, também a motivei para realizar a catalepsia do seu braço direito, transformando-o em uma barra de ferro que não podia ser dobrada, e ela se saiu muito bem em todos os exercÃcios.
Por último, foi a vez daquela que acho fundamental para a Odontologia, a eliciação de insensibilidade à dor, ou a hipnoanestesia. Pedi que a Luciana se concentrasse na mão dela, que pendia sobre sua cabeça, e usei uma técnica rápida no estilo Hand Shake. Ela pôde então se sentar enquanto desenvolvia um momento de completo bem-estar, conforto e segurança, ao mesmo tempo que o braço e a mão se tornavam insensÃveis, como se estivessem mergulhados em uma bacia de água fria. Contei até três e pedi que ela abrisse os olhos e me falasse se estava sentindo algo estranho no braço. Ela disse que ele parecia estar insensÃvel, e completei, “como quando um dentista realiza uma anestesia?” Ela concordou afirmativamente com a cabeça.
Em seguida, convidei a Luciana para fechar novamente os olhos e mergulhar em um transe mais pronfundo, enquanto ela fazia isso, fui até a mesa e peguei uma agulha de uns 8cm. O semblante da Luciana continuava um mar de tranquilidade com sua atenção voltada interiormente para dentro e si, mas a cara dos seus colegas era de espanto, logo eles, futuros dentistas que em breve teriam uma relação muito próxima com agulhas, sangue e bisturis.
Após abrir o pacote da agulha, fui até o braço da Luciana e transfixei a agulha de um lado para o outro
, enquanto ela continua viajando pelo seu transe. Disse a ela que contaria novamente de três a um, para que ela retornasse para a sala. Ao abrir os olhos, disse que seus amigos estavam curiosos em saber como se sente uma pessoa hipnotizada, ela começou a explicação: “ah, é diferente… normal…” Até que as risadas dos colegas indicavam que havia alguma coisa esquisita e alguém falou para a Luciana olhar para seu braço… Ela olhou e ficou meio sem acreditar e me perguntou: “O que é isso? Como essa agulha foi parar aÃ?” Disse que as vezes as coisas acontece sem a gente nem perceber. E ela então fez uma careta e perguntou: “Como você vai tirar isso daÃ? Vai doer!!” E eu, respondi, “eu não vou tirar, você é que vai tirar isso daÃ, e se você acreditar que não vai sentir dor, você
não sentirá coisa alguma. Olhe para mim e me responde, você confia que pode fazer isso?” Luciana prontamente responde com um “sim”. “Então, vamos lá.”Ela, então, retira a agulha do braço. Eu reforço positivamente seu comportamento, “não falei que você conseguia, muito bem, parabéns!”
Finalizei com algumas oientações de que ela poderia usar aquelas novas aprendizagens e habilidades sobre si mesma para aprimorar sua vida pessoal e profissional, pois ela possuia um talento especial.
A Marilyn que já havia visto feitos dos mais diversos no Candomblé, estava maravilhada, segundo suas próprias palavras: “fiquei com o queixo caÃdo, já havia visto essas coisas nos terreiros, de Umbanda, as pessoas se cortando com gilete, se punindo, mas nunca assim nestas circunstância. Fiquei impressionada!”
Eu também, sempre me impressiono com o potencial que cada pessoa pode desenvolver se for corretamente incentivada e vejo a hipnose como um ótimo recurso para ensinar “como a mente funciona” e como é possÃvel aprender a ter acesso a essas habilidades. Por isso que defendo seu uso por pessoas que conheçam as neurociências e ciências cognitivas, pois utilizar uma ferramenta como essa de maneira irresponsável e sem a devida capacitação não há de trazer benefÃcio algum.
Leon Vasconcelos Lopes
26/10/2009
Artigo escrito por admin.


Eu realmente fiquei impressionada com poder que a nossa mente possui. Eu era uma das pessoas que não acreditava nesse tipo de manobra, porém só quem passa por ela pode afirmar que a hipnose realmente tem efetividade. Quero parabenizar o Dr. Leon por sua habilidade e conhecimento e dizer que fiquei interessada sobre o assunto, onde pretendo, futuramente, me aprofundar para aplicação de algumas dessas técnicas no meu dia-a-dia no consultório odontológico. Abraços.
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