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Medicina Comportamental e Modificação do Comportamento

Como Criamos Nossas Fobias

phobia

O termo “fobia” tem origem na Grécia Antiga e foi inspirado no deus grego do medo, Fobus. As fobias representam um tipo de medo intenso, irracional e incontrolável de objetos, ou de situações específicas.

Uma pessoa com fobia pode evitar realizar determinadas tarefas, ou sair para lugares onde acredita haver a possibilidade de se deparar com o objeto temido.

Quem tem claustrofobia evita entrar em lugares fechados, ou de tamanho reduzido, já o aracnofóbico, pode deixar de passar suas férias na fazenda, ou entrar numa casa antiga, por  medo de se deparar com uma aranha.

As crianças e jovens que foram repreendidos muito severamente pelos pais quanto ao seu comportamento social, ou que se sentiram desmoralizadas e humilhadas em público, podem se tornar pessoas muito tímidas, incapazes de falar em público e de expressar seus próprios sentimentos, podendo desenvolver uma tipo de fobia chamada, Fobia Social.

Os pais dominadores, ou muito bajuladores, também podem reforçar o comportamento de insegurança nos filhos, contribuindo para que ele se achem incapazes e medrosos frente às outras pessoas. Por isso, o incentivo a autonomia dos filhos deve ser um dos elementos presentes na educação, pois contribui com a criação de auto-confiança e responsabilidade.

Medo Doentio

Por afetar a vida das pessoas de modo a limitar seu comportamento e causar mal-estar, as fobias são classificadas como doenças mentais e fazem parte de um grupo maior de doenças que recebem o nome de Transtornos de Ansiedade.

As fobias atingem até 10% da população e tem uma incidência cinqüenta por cento maior nas mulheres, atingindo pessoas de todas as idades. Elas se mantém funcionais através de um processo chamado de reforçamento negativo.

Toda vez que o individuo foge do objeto temido, ou da situação que o amedronta, ele tem um alívio dos seus sintomas de ansiedade e essa diminuição do mal-estar o incentiva a repetir o comportamento de fuga toda vez que se deparar com o objeto causador do medo. Na maioria das situações normais esse é um mecanismo protetor do próprio organismo. O problema é quando algo inofensivo passa a ser interpretado como uma ameaça.

A pessoa com fobia elabora no seu dia-a-dia diferentes estratégias para se distanciar dos seus temores. Até mesmo a escolha de uma profissão que ela julga ter que falar em público, pode ser descartada para um fóbico social.

Em muitos casos, a pessoa tenta aliviar sua frustração criando algumas teorias de explicação do seu comportamento que visam minorar o problema, justificá-lo, ou mesmo trata-lo como algo irrelevante. Essa tentativa de auto-sabotagem cognitiva é mais um maneira que ela encontrou para tentar justificar o seu próprio fracasso, frente às coisas que se desejava fazer.

Os psicólogos acreditam que o medo fóbico pode se originar de três modos distintos: 1) como resultado de  associação entre um objeto, ou uma situação, a fortes emoções de medo e ansiedade; 2) por influência do comportamento de outras pessoas medrosas (aprendizagem por observação); 3) pela transferência de informações do meio (cultura, família, religião), quando o indivíduo é alertado, ou ensinado, sobre os supostos perigos de determinados objetos, ou situações. Essas características podem vir sozinhas ou acompanhadas umas das outras. Na verdade, é o conjunto desses fatores que vão desenvolver uma fobia.

A fobia é uma doenças de origem mental é deve ser tratada, pois o não tratamento pode provocar problemas mais graves, ou levar ao uso de álcool, cigarro, ou outras drogas, numa tentativa frustrada de controlar a ansiedade.

Os tratamentos mais indicados são: a Terapia Cognitivo Comportamental, a hipnoterapia e outras formas de Psicoterapia Focais Breve. Vale ressaltar que o tratamento, seja por qual método for, deverá ser elaborado mediante uma estratégia de enfrentamento do medo e controle da ansiedade. Sendo assim, em alguns casos, até terapias placebo tem conseguido bons resultados no tratamento das fobias, já que a mera presença do terapeuta mobiliza o paciente e o incentiva a lutar e enfrentar o objeto temido.

Entretanto, os tratamentos alternativos também tem os seus riscos, pois, quando não funcionam, agem em concordância com o mecanismo de reforço negativo da fobia. Os terapeutas não capacitados a analisar e tratar corretamente o transtorno, podem acabar reforçando ainda a fobia, e diminuindo as expectativas e motivações do paciente, fato que dificultará os tratamentos subseqüentes.

Se um dia você precisar de um serviço psicológico, mesmo que seja para tratar algo aparentemente simples, procure um profissional qualificado e adequado às suas necessidades. Certifique-se de que o tratamento escolhido para a fobia seja breve e focal, pois existem algumas abordagens terapêuticas que não visam o tratamento de problemas específicos.

Trauma e Fobia – Devido a nossa facilidade de se recordar das emoções mais do que dos fatos em si, uma fobia por ser instalada através de um único episódio traumático. Imagine a seguinte situação:uma garotinha que andava tranquilamente em um parque, corre em direção a um coelho e tenta pegá-lo com as mãos. No momento que ela se abaixa para pegar o coelho, é surpreendida com um grito desesperado de sua mãe, ao mesmo tempo que ouve a buzina e o brecar de um carro que quase a atropela. A mãe, aflita, sai correndo e pega a filha assustada  nos braços. O choque emocional da situação, associado ao comportamento de pegar o coelho (estímulo neutro) poderiam ser suficiente para transformar o coelho em um objeto fóbico, uma vez que sua atenção estava focada no coelho, no momento do choque emocional. Em alguns casos de fobias, a aprendizagem acontece de modo tão eficiente que uma única associação é suficiente para gerar uma fobia.

Leon Vasconcelos Lopes

Psicólogo e Comunicador Social
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Category: Informativos