
Você provavelmente já deve ter se perguntado porque agiu ou se sentiu de uma determinada maneira . Nós questionamos sempre sobre nosso comportamento buscando uma tentativa de autocompreensão, ou mesmo de encontrar justificativas para o que sentimos e o que fazemos, e não conseguimos entender.
A seguir, vou dar uma explicação sobre alguns mecanismos psicológicos, descoberto pelas neurociências cognitivas, que mostram como um estímulo pode disparar uma resposta comportamental e emocional no nosso organismo. Começaremos entendendo o seguinte gráfico:
———- A ——- B —– C—-
Chamaremos de “A” todo estímulo ativador frente ao qual você irá que reagir e emitir uma determinada resposta que pode ser. O estímulo pode ser físico e externo, ou mental e interno e a resposta: Resposta Emocional – “Ce” – o que sentimos – raiva, tristeza, saudade, ansiedade, etc.; ou Resposta Comportamental – “Cc” – o que fazemos – fugir, gritar, enfrentar, chorar, correr, se calar, etc.; e os traçinhos ‘—’ representam a linha do tempo.
Somente nos casos em que as respostas forem respostas o ‘A’ sozinho terá alguma importância, como, por exemplo, quando você ouve um barulho alto e repentino e se assusta, quando a luz está forte e dilata as suas pupilas, quando encosta sua mão numa superfície quente e o braço dá um espasmo, e assim por diante. Nos demais casos, o ‘A’ será sempre um mero coadjuvante das suas reações, sendo o ‘B’ o elemento mais importante em modelar seu comportamento. Então, vamos conhecê-lo:
O ‘B’ representa a sua interpretação, os seus pensamentos, é o modo como o cérebro percebe os estímulos e emite uma resposta adequada às suas aprendizagens anteriores. O ‘B’ nunca vem sozinho, ele possui vários irmãos gêmeos, os chamaremos de ‘b’, fazendo nosso gráfico ficar assim:

Os seres humanos são animais que reagem muito mais aos ‘b´s ‘do que simplesmente aos estímulos ambientais ‘A’. É por isso que o ‘A’ isolado não é um fator determinante. Vejamos, por exemplo, um ‘A’ isolado, digamos ser ele um cachorro. Este animal pode ser interpretado para João como um animal divertido, companheiro, fiel e pode até ser considerado como um membro da família. Mas para Pedro que aprendeu a ter de cachorros, o mesmo animal pode significar perigo, ameaça, contaminado com doenças, etc. Embora o ‘A’ não tenha mudado, as respostas emocionais e comportamentais de João e Pedro frente ao ‘A’ são bem diferentes. Isso acontece, justamente, por conta dos ‘B’ em questão. Ou seja, forma como cada pessoa julga e compreende os estímulos do ambiente, sendo o B, portanto, o ativador do que você sente e do que você faz.
Os ‘b’ irão podem aparecer ao longo da linha do tempo ‘—”e, dependendo da sua localização, vão causar um tipo específico de processamento mental. Os ‘b’ funcionam como dominós, cada um desencadeia o próximo, até que eles sejam suficientemente fortes para nos causar determinadas emoções e ações específicas.
Vamos conhecer alguns desses ‘processos’ para que fique mais fácil o entendimento.
Durante a leitura deste texto, a sua atenção está representada pelo ‘b’ que ocorre no mesmo momento que o estímulo A. Conforme o gáfico abaixo:
A sua capacidade de identificar os ‘A´s’ se baseia nas escolhas de quais elementos enfocar e quais ignorar. A informação bruta recebida pelos sentidos é uma mistura de imagens, cheiros, sons, sentimentos, que por si só, não fazem sentido. É o cérebro que tem a tarefa de separar e organizar os estímulos para que eles adquiram sentido. O cérebro nós diz o que devemos ver, o que podemos desconsiderar, qual som escolher entre a massa sonora que recebemos, que cheiro sentir, que sabor igorar, etc.
Se o nosso cérrebro decide desconsiderar alguma informação do ambiente, essa informação deixa de existir. O que nos afeta no ambiente é aquilo que nosso cérebro escolhe prestar atenção, e este procedimento envolve características físicas, genéticas e psicológicas. E que tal criarmos mais ‘expectativas’? Vejamos como elas funcionam:
—-|——— A ———– Ce ———— Cc ———->
b – Expectativas e Auto-Eficácia
As expectativas vêm sempre antes da hora, por isso o ‘b’ fica lá atrás, antes mesmo de entrarmos em contato com o ‘A’. Daí o ditado popular que diz , “nadou, nadou e morreu na praia”. As vezes, as expectativas podem colocar nossos objetivos a perder.
Vizinho do ‘b’ da expectativa, há um outro ‘b’ que os psicólogos chamam de “auto-eficácia”. Ela representa um conjunto de crenças pessoais a respeito do nosso sucesso pessoal. O que as pessoas conseguem baseia-se, em parte, no que elas acham capazes de atingir.
Todo ‘b’ pode se transformar em uma vantagem, quando está bem equilibrado, ou um problema, quando está exagerado ou minimizado. Por exemplo, uma pessoa alcoólatra tem sua autoeficácia muito alta, ela pensa: ”Consigo parar depois de tomar algumas doses”, mas é aí que ela vai perceber que a sua alta autoeficácia tem uma relação inversamente proporcional às expectativas. Se as expectativas são muito altas, você pode acabar se achando incapaz de atingí-las, e, como consequência, acaba por diminuir sua autoeficácia. Esses dois procesos devem estar bem equilibrados, pois os extremos terão ambos consequências negativas.
No próximo texto, vamos conhecer outros “b´s” interessantes e aprender uma técnica simples para administrar melhor as expectativas e a ansiedade.
Leon Vasconcelos Lopespsicólogo e jornalista