Hipnose e a Construção de Memórias

Muito se fala sobre o potencial da hipnose de reavivar memórias há muito esquecidas no tempo, mas seria mesmo a hipnose capaz de realizar tal façanha?
O primeiro passo para responder a essa questão é compreender como funciona a memória, um fenômeno psicológico complexo que está sempre sofrendo influência das novas informações e esquecendo outras que não são relevantes. Esqueça o mito de que o inconsciente não esquece nada, ele não só esquece, como também distorce e constrói lembranças de fatos que nunca aconteceram. Além disso, não há um local específico no cérebro, ou no inconsciente, que armazena dados brutos na memória. Diante de um novo estímulo várias partes do cérebro codificam a informação dando-lhe significado para ser armazenado na memória de curto e longo prazo, com o passar do tempo algumas dessas memórias poderão ser recuperadas e outras serão esquecidas.
Um dos fatores mais importantes ao se tentar recuperar memórias através da hipnose é a “influência da sugestão”, variável que já pregou peça em alguns pesquisadores que tentaram estudar o assunto. Em 1949, Robert True realizou um experimento com voluntários que, após serem hipnotizados, recebiam sugestões de regressão ao dia de Natal de quando tinham 10, 7 e 4 anos de idade. Os voluntários foram questionados sobre qual dia da semana era aquele dia de Natal. Ao acaso a chance de se acertar a resposta é de 1 em 7 tentativas. No entanto, de maneira extraordinária, 82% dos hipnotizados de Robert acertaram as respostas.
Outros pesquisadores tentaram reproduzir em vão os resultados de True. Até que em 1982, quando Martin Orne perguntou a True, o porquê, ele respondeu que a Revista Science havia encurtado a pergunta da pesquisa para “Que dia da semana é?” Mas, na verdade, o que ele havia feito foi perguntar as pessoas sob regressão hipnótica: “É segunda-feira?”, “É terça-feira?” e assim por diante, até que o voluntário respondesse “sim”. Orne perguntou se True sabia o dia da semana ao fazer a pergunta, e True respondeu que sim, embora não tivesse entendido o motivo da pergunta de Orne (Myers, 1999).
O motivo de Martin Orne ter perguntado era simples, o experimento de True parecia um ótimo exemplo de como o hipnotizador pode sutilmente influenciar as respostas do hipnotizado (e, de um modo em geral, como os pesquisadores podem sutilmente expressar suas expectativas. “Tendo em vista a ansiedade do hipnotizado em atender aos pedidos que lhe são feitos”, presumiu Orne, é preciso apenas uma mínima mudança de inflexão (ao perguntar “é quarta-feira?”) para que a pessoas responda “Sim”. (Myers, 1999, p.159).
O golpe final contra os experimentos de True aconteceu quando Orne realizou um experimento em que perguntava a crianças de 4 anos de idade que dia da semana era. Para sua surpresa, nenhuma sabia. Sua conclusão foi, se crianças de 4 anos geralmente não sabem dizer qual o dia da semana, então os adultos hipnotizados de True forneciam informações que provavelmente não sabiam quando tinham 4 anos de idade (Myers, 1999.). Isso significava que as memórias eram construídas a partir da relação com o hipnotizado das expectativas do hipnotizador.
escrito por Leon Vasconcelos Lopes
Referência:
Myers, D. Introdução à Psicologia Geral,
LTC: Rio de Janeiro, 1999.
No vídeo abaixo uma jovem de 16 anos elabora sob hipnose seu futuro como médica veterinária. Cabe à sua imaginação criar todos os detalhes, como o exemplo que ela cita do tratamento que fez em um cachorro que, supostamente haveria sido atropelado, a prescrição dos dias de repouso e a raça do animal que, quando questionada, foi respondido da prontidão.
Artigo escrito por admin.


Mas espera ai, se a pessoa foi regredida ate uma idade de 4 anos, ela ira saber que dia e da semana, se eu perguntar pro meu sobrinho de 4 anos que dia e hoje, ele nao ira responder.
O que foi mostrado no texto nao me convenceu, nao tem nenhum dado conclusivo de que o cerebro nao guarde dados brutos.
Um experimento melhor poderia ser feito, por exemplo:
Hiponotizar uma pessoa com determinada idade, alguem com uns 20 anos, e por exemplo faze-la regredir ate a idade dos 14 anos no periodo da escola, ou nem mesmo regressao, simplesmente faze-la se lembrar de algum livro que tenha lido, e pedi-la para ditar ou mesmo escrever o que esta vendo no livro. Experiencias do tipo sim, serviriam para mostrar se o cerebro realmente grava tudo que chega ate ele.