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Medicina Comportamental e Modificação do Comportamento

Falsas Memórias: Comentadas

MEMÓRIA FORJADA


Terapeutas podem induzir pessoas a “lembrar” fatos que nunca aconteceram

Que a memória humana é um instrumento falho todos sabem. Mas que é possível, de modo relativamente fácil, fazer alguém se lembrar de algo que não aconteceu é uma nova e preocupante descoberta da psicologia.

Mais ainda: a própria pessoa passa a inventar detalhes daquilo que “passou” com ela, solidificando ainda mais a falsa memória.

Ë o fenômeno chamado “inflação da imaginação”, descrito pela psicóloga norte-americana Elizabeth Loftus: depois de fazer a mente imaginar os detalhes do “evento”, a certeza de que ele de fato ocorreu tende a aumentar.

Esses fenômenos seriam uma mera curiosidade científica se não estivesses disseminados no dia-a-dia das pessoas. Estudos têm mostrado que a sugestão – por um policial em interrogatório, por um psicanalista ou pelos meios de comunicação – tem o poder de alterar a memória de fatos vividos.

Pior ainda: criou-se nos EUA uma “indústria”, diz Loftus, da “memória reprimida” de eventos traumatizantes, que fez muitas mulheres imaginarem que foram repetidamente abusadas sexualmente quando crianças.

Em pelo menos um caso, um sujeito inocente foi para a cadeia baseado apenas nessa “prova” testemunhal, arrancada pelo terapeuta da memória de sua filha. Ele foi solto após a filha ter inventado crimes que ele não poderia ter de modo algum cometido, por estar viajando, e quando se notou a semelhança de uma descrição com um caso real, bem divulgado pelos meios de comunicação na época do suposto “crime”, em 1969.

Em um caso, a prova de que a “memória” tinha sido implantada pelo terapeuta foi mais fácil.

A norte-americana Beth Rutherford foi levada a crer pelo seu terapeuta que seu pai, um ministro religioso – que teve que abandonar o sacerdócio -, a tinha estuprado repetidas vezes dos 7 anos aos 14 anos e, em pelo menos um dos casos, com ajuda da própria mãe.

Beth também se “lembrou” que teria abortado duas vezes com ajuda de cabides. O caso terminou após um exame médico comprovar que ela nunca engravidara e era virgem aos 22 anos de idade. Ela processou o terapeuta e recebeu indenização de US$ 1 milhão.

As memórias “resgatadas” com ajuda do analista podem parecer pura loucura: a norte-americana Nadean Cool, por exemplo, “lembrou” ter participado de um culto satânico no qual se comiam bebês, de ter feito sexo com animais e de ser forçada a presenciar o assassinato de sua amiguinha de 8 anos. Ela também foi à justiça contra seu terapeuta e recebeu US$ 2,4 milhões de indenização.

Loftus, professora da Universidade de Washington, em Seattle (EUA), e presidente da Sociedade Psicológica Americana, diz que esse “mito da memória reprimida” está prejudicando a imagem dos terapeutas e das vítimas de abusos sexuais reais na infância, que passaram a ser desacreditadas.

“O paciente não deve sair com um problema a mais além daquele com quem chegou”, disse Loftus, em uma palestra em Heidelberg (Alemanha), em julho passado, no 2º Congresso Mundial dos Céticos.

Ela lembra uma pesquisa sobre as técnicas utilizadas por um profissional da área de saúde mental que indicou que cerca de um terço deles rotineiramente usa hipnose, interpretação de sonhos e mostra de algum tipo de material para ajudar no resgate de memórias.

Loftus e colaboradores fizeram vários experimentos de “implante” de memória, usando “lembranças” que não seriam traumáticas após ser revelado que se tratavam de invenções. Eram memórias como “você se perdeu em um shopping center quando tinha 5 anos”, ou então “você derramou a tigela de ponche em cima dos pais da noiva durante uma festa de casamento”.

Para determinar se de fato algo assim havia ocorrido ou não, era pedida a ajuda dos pais do entrevistado. Após três entrevistas, nas quais descreviam suas memórias, falsas e verdadeiras, 25% dos participantes insistiam que tinham derrubado o ponche – e entravam em detalhes, como “era um casamento ao ar livre, eu estava correndo e derrubei a vasilha”.

Loftus também estudou o papel do terapeuta na formação da “memória”. Em um estudo feito com ajuda de um terapeuta italiano, ela notou que 89% dos pacientes aumentavam a confiança na memória após uma sessão de meia hora com o analista, na qual seus sonhos eram interpretados.

Fonte:Folha de São Paulo

Reflexões Críticas sobre Falsas Memórias

Há muito tempo, quando ingressei na faculdade de psicologia e comecei  estudar a hipnose, me chamou atenção uma pesquisa que havia comparado a eficácia de várias psicoterapias. O artigo mostrava que independente da abordagem escolhida – e obviamente das explicações que cada uma dá – as respostas terapeuticas eram praticamente as mesmas, a variação maior era devido, mais a experiência do terapeuta, do que da abordagem escolhida.

Tal fato sugeria que mais importante do que a busca de um “Complexo de Édipo”, ou de um “Condicionamento Operante”, ou de Couraças, Cristalizações, representações de papéis, entre outras explicações, supostamente inteligentes, a eficácia parecia não depender dessas explicações. Por outro lado, desde muito e muito cedo – estou falando do Marquês de Puyseguir, discípulo de Anton Mesmer – os primeiros magnetizadores já haviam descoberto que mesmo uma forma sutil de comunicação influenciava seus pacientes.

Muitas experiências foram realizadas naquela época para testar de que forma os hipnotizados captavam essas informações. Essa época representou a gestação e o parto da primeira forma de psicoterapia. Surgiu também os adeptos das explicações sobrenaturais – que repercutiu na criação do espiritismo pelo meu xará Leon Denis, mais conhecido por Allan Kardec.

Embora a hipótese sobrenatural não tenha resistido aos experimentos mais bem controlados, os intelectuais espíritas selecionaram aqueles mais surpreendentes, mas mau elaborados, realizados por grandes pesquisadores de campos paralelos – como Charles Richet (fisiologia) e William Crookes (química) -  para promover as suas crenças espirituais.

Por outro lado, os estudos naturais e psicológicos conduziram a várias conclusões importantes. Uma delas, foi a de que as próprias perguntas, ou até mesmo pequenas mudanças no tom da voz, são estímulos suficientes para influenciar os pacientes. Este conhecimento psicológico, oriundo da prática com a hipnose e, ao meu ver, um dos mais importantes, foi praticamente enterrado pelas vertentes oficiais do conhecimento.

O que pouca gente se dá conta é que a primeira pá de terra jogada sobre este assunto veio de Sigmund Freud. Longe de todos os pretextos apresentados por ele para o abandono da hipnose, esconder que os terapeutas poderiam influenciar os pacientes, mesmo que de modo muito sutil, representava uma forma de validar a psicanálise. Se esse fenômeno não fosse conhecido, estaria pronto o terreno para a construção da verdade psicanalítica, uma verdade genuína, fruto do material purificado do inconsciente do paciente. E o principalmente, se encaixaria no modelo positivista de ciência que exigia a neutralidade, a imparcialidade.

A estratégia funcionou tão bem que até as demais Psicologia que surgiriam mais tarde ignoraram a hipnose e todo o leque de conhecimento produzido por dezenas de médicos, sejam magnetizadores, ou hipnólogos, enfim, psicoterapeutas!

Chego a ter vergonha de como a psicologia – digam-se os psicólogos, a academia – ignoram totalmente o que é a hipnose. É como um médico que pensa entender de todos os órgãos do corpo, mas não sabe que eles dependem do sangue que corre dentro das veias dos pacientes. Talvez pesquisas como essa da psicóloga cognitiva Dra Elizabeth Loftus, possam, finalmente, iluminar a psicologia e acabar com as formações religiosas que reduzem a Psicologia a um conjunto de meia dúzias de teorias, muitas das quais românticas e interessantes, mas totalmente foclóricas e míticas.

Leon Vasconcelos Lopes, Psy Msc.

Para saber mais:

NEUBERN, M.
Hipnose e psicologia clínica: problemas clínicos, epistemológicos e históricos.

The Science of False Memory

Presented by: Charles Brainerd and Valerie Reyna

Charles Brainerd and Valerie Reyna of Cornell’s Dept. of Human Development review a comprehensive trove of studies in cognitive science to highlight what is currently known about why people can remember things differently from what really took place and why some people have vivid memories of things that never took place at all.

A hipnose tem efeito “real” no cérebro.

A hipnose tem um “real”, efeito que pode ser detectado em exames do cérebro, garantem pesquisadores da Universidade de Hull.

Um estudo que analisou tomografias cerebrais de voluntários hipnotizados, mostrou diminuição da atividade nas regiões do cérebro relacionadas aos devaneios.

Os mesmos padrões cerebrais estavam ausentes em pessoas que fizeram os testes, mas que não foram hipnotizadas.

Um psicólogo disse que o estudo reforçou a teoria de que a hipnose “prepara” o cérebro para aceitar a sugestões.

A hipnose está cada vez mais sendo usada para ajudar pessoas a parar de fumar ou perder peso e conselheiros recentemente recomendaram a sua utilização no tratamento da síndrome do intestino irritável.

Não é a primeira vez que pesquisadores tentaram usar exames de imagem para acompanhar a atividade cerebral de pessoas hipnotizadas.

Mas a equipe do Hull disse que nos testes anteriores as pessoas tinham sido convidados a realizar tarefas, por isso não ficou claro se as mudanças no cérebro foram devido ao ato de fazer a tarefa ou pelo efeito de hipnose.

No último estudo, o primeiro grupo testou como as pessoas reagiram à hipnose e selecionou 10 pessoas que foram “altamente sugestionáveis” e sete pessoas que realmente não responder à hipnose e outro que conseguiram apenas se tornar mais relaxadas.

Os participantes foram convidados a fazer uma tarefa sob hipnose, como ouvir música não existe, mas desconhecia que a atividade cerebral era monitorada, nos períodos de descanso entre as tarefas, conforme pesquisa publicada no Consciousness and Cognition Journal.

No grupo de pessoas “altamente hipnotizáveis” houve diminuição da atividade na parte do cérebro envolvida na produção de devaneio – também conhecido como o “modo padrão” de trabalho.

Uma sugestão de como funciona a hipnose, apoiada pelos resultados, é que desligar essa atividade deixa o cérebro livre para se concentrar em outras tarefas.

O líder do estudo, Dr. William McGeown, professor do departamento de psicologia, disse que os resultados foram inequívocos, porque só ocorreu nos indivíduos altamente hipnotizáveis.

“Isso mostra que as alterações foram devidas à hipnose e não apenas ao simples relaxamento.” Nosso estudo mostra que a hipnose é real. ”

Dr. Michael Heap, um psicólogo forense clínico de Sheffield, disse que a experiência foi única em mostrar os padrões cerebrais apoiando a teoria de que a hipnose funciona “preparando” o sujeito a responder mais eficazmente às sugestões.

“É importante os dados confirmam que o relaxamento não é um fator crítico. Os poucos dados deste experimento sugerem que este padrão de atividade se dissipa (pelo menos até certo ponto) uma vez que os indivíduos começam a realizar as sugestões que se seguem.”

Mas ele disse que o estudo é pequeno, que precisava ser repetido em outras populações, e que não prova que as pessoas hipnotizadas estavam em um “transe”.

Story from BBC NEWS História da BBC NEWS

Jessica Alba recomenda hipnose no parto

Jessica Alba é adepta do hypnobirthing, um método que ensina as futuras mamães técnicas de respiração e relaxamento que levariam a um parto natural com pouca ou nenhuma dor, sem necessidade de anestesia.

“É diferente, mas eu realmente recomendo aulas de hypnobirthing,” disse Alba à Us Weekly, na última segunda-feira (16). “O método te deixa relaxada.”

Jessica não teve um trabalho de parto “relaxado” quando deu à luz  Honor Marie, 2, sua primeira filha com o marido Cash Warren:

“Eu estava apavorada. Ficava pensando: E se eu entrar em pânico? E se eu perder o controle e não souber o que fazer?”

Por isso a atriz resolveu tomar medidas para ficar mais calma na hora do parto do segundo bebê, que nasce no próximo verão americano.

A gravidez também tem sido mais fácil para Alba, apesar de contar com uma complicação. É que Honor ainda quer ser carregada pela mamãe.

“Desde que minha barriga começou a crescer, ela não quer sair do colo.”

Fonte:  Revista Ego

Entrevista sobre Hipnose com Leon Lopes

leonaula1) O que é hipnose?

É a utilização de um conjunto de técnicas psicológicas que visa produzir alterações nos padrões de pensamentos e percepção da realidade. O sujeito em transe hipnótico vivencia um estado de atenção concentrada, chamado de Estado Alterado de Consciência. Esse estado potencializa as resposta à sugestão, o que permite que a imaginação seja guiada e construa uma realidade alternativa, semelhante a um sonho que é vivido como se fosse real.

O interessante é que durante a hipnose as funções automáticas podem ser controladas por meio da sugestão verbal do hipnólogo. Com isso é possível obter a redução dos batimentos cardíacos e da pressão arterial, alterar a temperatura de partes do corpo, aumentar ou diminuir a salivação, aumentar ou diminuir o fluxo sanguíneo em regiões específicas, aumentar ou ampliar a sensibilidade a dor, etc.

2) Quais os primeiros registros científicos da hipnose?

Os registros na medicina se iniciaram, por volta de 1745, impulsionados pelo trabalho do médico austríaco Anton Franz Mesmer. No entanto, o modelo teórico defendido por Mesmer não era compatível com as exigências materialistas do início da ciência moderna. As características subjetivas presentes no transe acabaram por lhe render uma associação com experiências religiosas e charlatanismo, o que nessa época já passava a ser algo que deveria ser combatido, caso não se adequasse as exigências materialistas do novo saber que surgia, a Ciência Moderna.

Somente a partir de 1843, a terapêutica de Mesmer ganhou uma reformulação, sendo explicada por uma teoria fisiológica. A criação do termo ‘hipnose’ representou essa transição e as primeiras pesquisas descreviam casos bem sucedidos de cura de enfermidades e anestesia em cirurgias. Isso fez da hipnose a primeira técnica de intervenção psicológica a obter reconhecimento científico da sua eficácia clínica, mesmo antes de existir o que viria a ser chamando de “Psicologia”.

3) Quem pode fazer uso dessa terapia?

No Brasil, não há legislação que regularize o uso de psicoterapias, apenas de terapias físicas e biológicas, portanto, o campo está aberto para todos os tipos de uso, sejam eles éticos ou não. O risco que correm esses terapêutas é o de crime por exercício ilegal da medicina, o que só acontece após denuncia formal e imprudência.

Já os profissionais da saúde, pessoas graduadas em cursos superiores da área da saúde, só podem aplicar determinada técnica ou procedimento se esse for regulamentado pelo seu respectivo conselho profissional. Neste caso, dentistas, médicos, psicólogos e, recentemente, fisioterapeutas, podem usar a hipnose, caso tenham passado por treinamento e a utilize como uma ferramenta auxiliar no exercício de sua profissão. Dentista e fisioterapeuta usando hipnose para querer tratar transtornos psicológicos é considerado imprudência profissional, o mesmo valeria para o psicólogo que quisesse usar a hipnose para tratar cáries ou uma lesão articular de um paciente.

Por outro lado, o uso mais comum da hipnose é fora da área da saúde, o que extrapola a sua indicação. Nos ambientes religiosos, ou em reuniões e palestra para venda de produtos, como no marketing de rede, é comum se fazer uso disfarçado das técnicas da hipnose. Neste caso, o objetivo seria manipular as emoções das pessoas e torná-las mais suscetíveis às idéias que estão sendo propostas e as sugestões que estão sendo dadas. Entregar tudo o que se tem, salário, imóveis, veículo, por acreditar na palavra de alguém que promete a obtenção de uma graça divina, não é algo nem um pouco razoável para uma pessoa em seu estado normal de consciência.

4) Qual a formação necessária para ser hipnólogo?

Não há uma regulamentação específica, portanto uma pessoa pode ler um livro de hipnose, ou fazer um curso pela internet, e se auto-intitular hipnólogo. Cabe aos que buscam os serviços, principalmente os de saúde, analisar quem é o profissional e verificar sua formação e indicações por pessoas de confiança.

5) Para quais problemas a hipnose pode ser usada como tratamento?

Todo problema humano envolve aspectos psicológicos, até se uma pessoa contrair uma gripe e estiver deprimida, o seu sistema imunológico será afetado e o organismo terá mais dificuldades para se curar. Quando a aplicação da hipnose visa à promoção da saúde, ela pode ser utilizada na maioria das situações, pois trata-se de uma abordagem que buscará apaziguar os conflitos psicológicos e promover o bem-estar. Se um profissional não está capacitado a tratar alguém sem hipnose, ele também não estará capacitado a tratar com a hipnose. Isso porque a hipnose não é um tratamento em si, mas um procedimento que facilita a psicoterapia, a intervenção médica, odontológica, ou fisioterapeutica.

6) Quais os benefícios e enquanto tempo eles aparecem?

Não há como precisar, depende de cada pessoa e de cada situação, mas sabe-se apenas que o uso da hipnose torna as terapias mais breves, durando, em média, de 5 a 12 sessões. Ou seja, já deve haver um plano terapêutico, uma forma de terapia pela qual a hipnose irá facilitar. Do ponto de vista terapêutico, isoladamente, a hipnose só serve para controlar momentaneamente a percepção, sendo usada em pequenas cirurgias, ou situações aflitivas restritas. Mas em conjunto com uma boa orientação e intervenção psicológica, ela pode ter um efeito imediato e não são raros bons resultados em até três sessões.

7) Existem quantos tipos de hipnose?

Apenas uma. O que muda é a forma de produzir a hipnose. É mais comum que os profissionais com formação predominantemente biológica prefiram o modelo clássico de indução, na qual sugestões diretas e autoritárias são usadas para tentar produzir o transe hipnótico. Já os profissionais com formação humana, preferem um modelo mais convidativo e indireto, que busca produzir o transe de uma maneira mais natural e menos impositiva, também são chamados de: modelo parteno e modelo materno.

8- De que forma a terapia atua?

Do ponto de vista fisiológico,  a experiência de transe hipnótico pode promover a liberação de neurotransmissores que aliviam o estresse e elevam a imunidade. Já no campo psicológico, a hipnose pode ser usada para facilitar a modificação de crenças, gerando novos comportamentos mais adaptados. Há também uma perspectiva psicobiológica que sugere que a experiência de transe poderia desencadear a ativação de genes específicos, ativadores de mecanismos naturais de auto-cura. Esta teoria poderia elucidar os os mecanismos de ação dos casos de curas que acontecem em abientes não médicos, como na religião.

No entanto, essa divisão em fisiologia e psicologia, é uma grande bobagem, pois apenas mostra como o ser humano é fragmentado e isolado para ser estudado pelas atuais técnicas científicas.  A mente influencia o corpo e o corpo influencia a mente, apesar do corpo ser o grande astro, já que há toda uma industria que se sustenta a partir da estética visual (plástica, juventude, atletismo) e outra que promete felicidade, prazer e tranquilidade em cápsulas e comprimidos.

9) Quais as dúvidas mais frequentes dos pacientes ao iniciar um tratamento?

A maioria quer saber se vai ficar inconsciente, se vai dormir, se vai ter seus segredos revelados, coisas que não acontecem. A pessoa apenas relaxa e usa sua imaginação para se desligar do ambiente físico e se projetar nos seus pensamentos, lembranças e sensações. Ela é guiada para encontrar novas soluções para seus problemas e é ajudada a atingir essas metas elaboradas na psicoterapia.

10) A união da hipnose com outras áreas da saúde é recente? Tem mostrado resultados?

A hipnose surgiu como uma técnica que facilitava a cura de doenças, depois passou a ser usada como uma técnica de investigação experimental, sendo a forma intervenção psicológica mais pesquisada da história. Até o ano 2000, há registro de mais de cem mil projetos de pesquisas sobre hipnose, e, nos últimos cinqüenta anos, ela foi tema de trabalhos publicados nas mais conceituadas revistas científicas, o que mostra sua importância para várias áreas do conhecimento humano.

11) Auto-hipnose é segura?
A auto-hipnose é apenas uma técnica de relaxamento, pois são raríssimas as pessoas que conseguem gerar fenômenos hipnóticos mais complexos por auto-hipnose, como a produção de anestesia em um membro. O mais comum é se usar o termo ‘auto-hipnose’ como pretexto para hipnotizar as pessoas, o que já não seria mais ‘auto’, e sim, ‘hetero-hipnose’. Pessoas sem segurança ou formação adequada podem usar o termo “curso de autohipnose” para tentar se esquivar do fato de que ela está praticando a hipnose. Seria semelhante a um curso de auto-cirurgia em que o professor, que não é médico, usa esse termo como pretexto para se isentar de um processo por uso ilegal da medicina. A hipnose é uma técnica relacional, isso é um dos aspectos  que a diferencia da meditação e o que a fez se tornar um procedimento médico.

Questõs elaboradas pela estudante de jornalismo Isabelle Leal, em 20 de Novembro de 2009.

Entrevistado: Leon Vasconcelos Lopes, psicólogo, especialista em hipnose clínica, mestre em Saúde Coletiva.

Intervenções Breves

Intervenções Mente-Corpo

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É sabido que os seres humanos se destacam pela sua rápida adaptação a circunstâncias adversas, mas o que de imediato pode parecer bom, a longo prazo, as repetidas exposições a situações estressoras podem criar fortes condicionamentos que elevam a produção de hormônios do estresse e compromete a saúde física e mental.

As interferências do ambiente afetam o cérebro que reage a dor mental de modo semelhante como reagiria a uma agressão física. Assim, o cérebro comanda a liberação de hormônios que deixam o corpo em alerta e o prepara para a luta naquele momento específico. As conseqüências da repetição constante desse processo, repercute com o aumento da sensibilidade à dor,  a antecipação de sensações de fadiga e esgotamento, e a  diminuição da resistência a doenças, causando fragilidade a todo o organismo.

Quando o problema comportamental antecede os sintomas físicos, o tratamento por meio de drogas e medicamentos tem efeito apenas superficial, já que não é capaz de interromper e modificar as respostas condicionadas.  O organismo se mantém em condições crônicas de resposta ao estresse.

A permanência desse quadro pode conduzir ao surgimento de sintomas físicos, como gastrite, dores crônicas, doenças de pele, hipertensão, obesidade; a sintomas comportamentais, como abuso de drogas e medicamentos, numa tentativa de buscar alívio. Tais procedimentos, longe de resolver o problema, podem dificultar o tratamento que vai exigir modificações em crenças e condutas via intervenções psicoterápicas.

Como Funciona

As Intervenções Cognitivas são um conjunto de intervenções psicológicas, desenvolvido em parceria com uma equipe de medicina e fisioterapia especializadas, visando o tratamento breve e global (mente e corpo). Diferem das terapias de longo prazo, que geralmente são desvinculadas dos tratamentos médicos convencionais.

As técnicas de hipnoterapia oferecem um conjunto de procedimentos que auxiliam o uso da mente subconsciente para efetuar mudanças e readaptar as respostas involuntárias, reconduzindo a uma condição mais natural e plena de vida.

As intervenções foram desenvolvidas como uma terapia psicológica intensiva, o que não evita que, em alguns casos, que os pacientes possam ser orientados a continuar com uma terapia de médio, ou longo prazo, para dar apoio às mudanças obtidas. A sua utilização também não intefere em outros tratamentos que estejam sendo realizados.

Como Surgiu

Inicialmente, estas intervenções foram criadas como uma terapia rápida para pacientes com dores crônicas, atendidos no Centro Médico da Coluna Vertebral. A constatação de que as dores crônicas não derivavam mais de estímulos nociceptivos (estímulos físicos que provocam dor), revelou que os sintomas eram mantidos por condicionamentos psicológicos que continuavam ativos por livrarem os pacientes de certas circunstâncias desagradáveis, transformado -se em uma espécide de válvula de escape.

A princípio, a maioria das doenças crônicas não tratáveis pelos métodos convencionais, são fortes indicadores de desajustes orgânicos influenciados por condicionamentos psicológicos. Portanto, a terapia foi desenvolvida e ampliada para fornecer tratamento básico a uma variedade de condições médicas com pouca ou nenhuma resposta aos tratamentos medicamentosos, físicos, ou cirurgicos.

As intervenções visam regular as respostas do corpo, pois o próprio organismo é capaz de reagir e se readaptar naturalmente, sendo necessário criar as condições favoráveis para a mudança. Em alguns casos, isso pode acontecer ainda na primeira fase das intervenções (primeiras 5 sessões), embora as respostas sejam individuais e as intervenções personalizadas.

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As Intervenções Mente-Corpo

Bibliografia de Referência

BARBER, J. Tratamiento del dolor mediante hipnosis y sugestión: una guía clínica. Bilbao: Desclée de Brouwer, 2000.(Biblioteca de Psicología).

BUTLER, L. D.; SYMONS, B. K.; HENDERSON, S. L. et al. Hypnosis Reduces Distress and Duration of an Invasive Medical Procedure for Children. Pediatrics, n.1, p.e77-e85. 2005.

GINANDES, C. S. e  ROSENTHAL, D. I. Using hypnosis to accelerate the healing of bone fractures: a randomized controlled pillot study. Alternative therapies in health medicine, v.5, n.3, p.67-75. 1999.

KESSLER, R. Treating psychological problems in medical settings: primary care as the de facto mental health system and the role of hypnosis. The International journal of clinical and experimental hypnosis. 2005

LANG, E. V. e  ROSEN, M. P. Cost Analysis of Adjunct Hypnosis with Sedation during Outpatient Interventional Radiologic Procedures. Vascular and Interventional Radiology, p.375-382. 2001.

MONTGOMERY, G. H.; BOVBJERG, D. H.; SCHNUR, J. B. et al. A Randomized Clinical Trial of a Brief Hypnosis Intervention to Control Side Effects in Breast Surgery Patients. Journal of the National Cancer Institute n.17, p.1304-1312. 2007.

MONTGOMERY, G. H.; DAVID, D.; WINKEL, G. et al. The Effectiveness of Adjunctive Hypnosis with Surgical Patients: A Meta-Analysis Anesth Analg n.94, p.1639-1645. 2002.

SUGARMAN, L. I. Hypnosis in a primary care practice : Developing skills for the new morbidities. Journal of developmental and behavioral pediatrics, v.17, n.5, p.300-306. 1996.

WRIGHT, B. R. e  DRUMMOND, P. D. Rapid induction analgesia for the alleviation of procedural pain during burn care. Burns, v.26, n.3, p.275-282. 2000.

YAPKO, M. D. Hypnosis and Treating Depression: applications in clinical practice. CRC Press, 1992.

Hipnose e Hipnoterapia

O que é hipnose?

A hipnose é uma técnica psicológica usada para se comunicar com a parte mais profunda da mente, o inconsciente. Os psicólogos e médicos usam essa técnica com a intenção de gerar novos comportamentos e obter o controle voluntário de reações involuntárias, como, por exemplo, a redução da pressão arterial, a produção ou diminuição de hormônios, diminuição ou aumento da sensibilidade, e a modificação de pensamentos e crenças disfuncionais, como nos casos de fobias e síndrome do pânico.

Muitos pensam que a hipnose é um estado relaxado semelhante ao sono. No entanto, ela é o seu oposto. Embora o corpo possa relaxar, a mente continua ativa e processando muitas informações, semelhante ao estado de sono R.E.M., momento no qual nós sonhamos. Os psicólogos usam esse “sonhar desperto” para facilitar a terapia e explorar o potencial criativo de seus pacientes.

Durante a hipnose você não fica inconsciente, como se estivesse desmaiado, provavelmente, você vai lembrar de tudo que aconteceu. Você vai ouvir o que o terapeuta diz e pode decidir seguir a sugestão, ou não. Obviamente, diferente da hipnose da TV, as sugestões realizadas pelos hipnoterapeutas especializados estão de acordo com a ética médica. As sugestões e orientações visam unicamente o crescimento pessoal e cura de patologias. Mas boa intenção não basta, o psicoterapeuta tem que saber o que está fazendo. Sólida formação acadêmica e boas recomendações profissionais são indicadores importantes na escolha do profissional.

O Conselho Federal de Medicina e a Organização Mundial de Saúde- OMS recomendam o uso da hipnose como coadjuvante no tratamento de variedade de doenças físicas, psicossomáticas e como um meio de abreviar os tratamentos psicológicos. A Hipnose Clínica é a intervenção com o maior número de trabalhos científicos publicados, são mais de cem mil artigos, projetos e estudos empíricos, relatando resultados positivos em diversas áreas da saúde (Nash, 2001).

Com a ajuda das técnicas da hipnose se é capaz de modificar estados dolorosos, modular a atividade do sistema nervoso autônomo (sono, concentração, memória), fortalecer o sistema imunológico e regular o metabolismo hormonal. Efeitos que oferecem enorme potencial no tratamento da saúde e na promoção da qualidade de vida.

A Hipnoterapia?

Hipnoterapia é quando se associa técnicas da hipnose com as terapias psicológicas. Ela tem sido usada para uma grande variedade de tratamentos, que vão desde tratamentos parar de fumar, até tratamentos para o aumento dos seios.

Em uma pesquisa comparando a eficácia das várias formas de psicoterapia, os pesquisadores concluíram que a hipnoterapia teve a maior taxa de recuperação em um curto período de tempo, como seguem abaixo:

­Psicanálise: 38% de recuperação, após 600 sessões (11anos e meio);
­Terapia Comportamental: 72% de recuperação, após 22 sessões (6 meses); ­
Hipnoterapia: 93% de recuperação, após 6 sessões (1 mês e meio).

- A hipnose clínica é um procedimento BREVE, OBJETIVO, RESOLUTIVO e SEGURO, amparado em fundamentos científicos comprovados e que modifica os padrões cerebrais.

- Não é necessário interromper tratamentos em andamento para iniciar o tratamento pela Hipnose Clínica. Ao contrário, na maioria das vezes os tratamentos interagem de maneira benéfica ao paciente potencializando os efeitos entre si.

- Promove uma reabilitação física e mental em períodos mais breves do outros tratamentos.

- É um método não farmacológico e não invasivo com eficácia comprovada no tratamento de DORES AGUDAS e CRÔNICAS (Barber, 2000; Lang 2000), recuperação física de QUEIMADURAS e FRATURAS ÓSSEAS (Ginandes, 1999),  além de doenças psicossomáticas.

Referências

BARRIOS.A. A. Hypnotherapy: a reappraisal. Phychoterapy: theory, research and pratice, 1970.
GINANDES, C. S.;  ROSENTHAL, D. I. Using hypnosis to accelerate the healing of  bone fractures: a randomized controlled pillot study. Alternative therapies in health medicine, v.5, n.3, p.67-75. 1999.
LANG, E. V; BENOTSCH, E. G; FICK, L. et all. Adjunctive non-pharmacological analgesia for invasive medical procedures: a randomised trial. The Lancet. Vol. 355(9214) 29 April 2000.
NASH. M. R. The Status of Hypnosis as an Empirically Validated Clinical Intervention: a preamble to the special issue. International Journal of clinical and Experimental Hypnosis, v.48, n.2, p.107-112. 2000.

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Publicidade participa de aula prática sobre Hipnose

Alunos de Publicidade participam de aula prática sobre Hipnose

16/03/2011

Para os alunos da disciplina de Psicologia da Comunicação do curso de Publicidade e Propaganda da Faculdade Católica do Ceará, hipnose é o tema do momento. Conhecer mais a fundo os meandros de uma abordagem técnica da psicologia, que tem pouco a ver com o seu lado folclórico, bastante difundido em apresentações na TV, é o objetivo lançado aos estudantes.

Por esse motivo, na última quinta-feira, 11, o Núcleo de Produção Audiovisual (Nupa) foi cenário de uma experiência instigante: sob orientação do professor Leon Lopes, os alunos participaram de várias demonstrações de “hipnose” e puderam presenciar na prática a força da ação motivacional e da sugestão indutiva sobre o comportamento humano.

“A hipnose é um conjunto de técnicas que visa alterar a percepção e aumentar a resposta à sugestão verbal. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, não se refere a um estado de sono ou de inconsciência, mas de alta concentração focalizada, o que permite explorar melhor o potencial interior de cada indivíduo”, explica Leon Lopes. O uso da hipnose com propósitos terapêuticos também é conhecido como “hipnoterapia”.

O interesse da ementa da disciplina sobre o tema, no entanto, está voltado para uma questão mais geral. Compreender os caminhos percorridos pelo pensador austríaco Sigmund Freud até chegar às suas famosas formulações sobre o inconsciente. Isso porque o que pouca gente sabe é que o “pai da psicanálise” passou a manifestar interesse e teorizar sobre o inconsciente a partir do contato que teve com a hipnose.

“Nós estamos fazendo uma revisão do pensamento do Freud que, como sabemos, se interessou pelo inconsciente após entrar em contato com o trabalho do fundador da neurologia moderna, o médico francês, Jean Martin Charcot. Assim, achamos que esta seria uma boa oportunidade para nos aprofundarmos um pouco mais sobre essa importante área da psicologia”, diz Leon, que também é psicólogo e faz uso da chamada “hipnose clínica” com seus pacientes.

Na aula de quinta-feira, os alunos participaram de demonstrações de “rigidez muscular”, tecnicamente conhecida como catalepsia corpórea, e de exercícios ideomotores. Em uma das atividades, uma aluna foi capaz de se manter firme apoiando apenas a cabeça em uma cadeira e os pés em outra, enquanto sua colega ficou em pé sobre seu corpo. Em seguida, toda a turma foi induzida a salivar sentindo o gosto do limão na boca, apenas usando a imaginação e seguindo as instruções do professor.

Segundo Leon, a ligação entre hipnose e Comunicação se dá porque ambas as práticas têm uma relação com a linguagem. Na área da Publicidade, por exemplo, onde a venda de uma ideia associada a um produto está na essência desta atividade, tal relação se apresenta de forma ainda mais nítida.

“A comunicação e, de forma mais evidente, a Publicidade trabalha sobre necessidades e desejos construídos. Você é levado a comprar algum objeto para suprir necessidades humanas que, muitas vezes, são construídas. Você, na verdade, é convencido da necessidade de possuir tal produto. E a hipnose, de certa forma, vai remeter ao desejo a partir da sugestão, que também é aplicada através de processos comunicativos. Contextualizando isso para sala de aula, nós mostramos como através da sugestão, que é trabalhada na hipnose, as pessoas podem ser levadas a realizar determinados comportamentos”, explica.

Fonte: http://www.catolicaceara.edu.br/

Estudando os animais para compreender o homem

macaco

As pinturas em cavernas revelaram que desde a pré-história os animais já eram objetos de observação e admiração dos homens. Mas foi somente a partir da década de 1930 que o comportamento animal passou a ser estudado cientificamente. Konrad Lorenz e Nico Tinbergen foram os dois pesquisadores responsáveis por fundar a Etologia, uma disciplina do conhecimento científico que estuda a evolução do comportamento animal.

Os primeiros experimentos realizados por Tinbergen buscavam descobrir quais os tipos de comportamentos dos animais eram inatos, ou seja, fruto de um instinto natural selecionado a partir do processo de evolução das espécies.  Para responder a essa pergunta, Tinbergen observou o comportamento de vários animais. Um peixe chamado esgana-gata possuia um comportamento agressivo durante o período de procriação. O peixe criava um ninho no fundo do lago e tentava atriar as fêmeas para aquele local. Caso um macho rival aparecesse, ele partia para o ataque.

A partir dessas observações, Tinbergen criou um esgana-gata isolado em um aquário, para ter certeza de que seu comportamento não era aprendido. Na época de acasalamento, o peixe construiu o ninho no fundo do aquário e Tinbergen usou uma réplica de outro esgana-gata ver o que acontecia: o peixe, então, atacou imediatamente a réplica.

A partir daí, Tinbergen percebeu que aquele comportamento era algo determinado geneticamente, mas ele queria saber qual, exatamente, era o estímulo que desencadeava o ataque. Em busca dessa resposta, ele fez vários modelos de peixe para testar diferentes estímulos visuais, mudando a cor e a forma do modelo. Ele também testou vários movimentos e, ao final, descobriu que os modelos com barriga vermelha e que executavam movimentos verticais produziam ataques mais ferozes do peixe.

Konrad Lorenz também realizou centenas de experimentos com animais, o que o levou a descobrir um comportamento que ele chamou de “Imprint”, ou “Impressão”. Animais como os patos, assim que nascem, se fixam na imagem do primeiro animal, ou objeto móvel, que estão perto deles e passam a sergui-lo como se fossem sua mãe. O próprio Lorenz se tornou a “mãe” de centenas de patos que ele criava em sua fazenda, os animais o seguiam por terra, água e ar. Vejam no vídeo abaixo:

Até então, a Etologia parecia apenas mais um ramo interessante da biologia, que descrivia e estudava o comportamento dos animais, mas os etologistas se voltaram para observar um novo e curioso animal, o homem. Quando Tinbergen e Lorenz começaram a estudar o comportamento humano, os psicólogos comportamentais passaram a se rebelar, pois Skinner, um dos maiores especialistas em aprendizagem e condicionamento, defendia que os seres humanos não estavam mais sujeitos a comportamentos instintivos e inatos, mas sim, a comportamentos aprendidos.

A medida que os experimentos da Etologia foram evoluindo, ganhavam também cada vez mais credibilidade. Pesquisas realizadas com bebê, mostravam que eles possuiam comportamentos reflexos inatos, devirados de sua evolução biológica. Pouco tempo após nascerem, os bebês eram capazes de se segurar firmemente a uma corda e lá ficar pendurados, comportamento associado a sua ancestralidade que remontava a época de primatas arborícolas.

Outro grande pesquisador da Etologia Humana, Eibl-Eibesfeldt, realizou diversas pesquisas sobre o comportamento verbal em humanos, chegando a conclusão de que haviam padrões universais de sorrisos e de novimentação das pálpebras.


Com a evolução das pesquisas e da metodologia empregada nos estudos Etológicos, a preocupação com o inato ou adquirido, passou a ter papel secundário. A Etologia evoluiu para buscar compreender as funções do comportamento e sua realção com o meio físico e cultural. Novos pesquisadores da psicologia também aderiram à etologia e a antiga rivalidade entre etólogos e psicólogos comportamentais se tonou algo do passado, pelo menos, para os profissionais atualizados. Atualmente, a Etologia Humana é um campo interdisciplinar da Biologia e Psicologia.

Os estudos etológicos visam comprender melhor a evolução biológica dos nossos comportamentos e como os fatores ambientais podem modelar o comportamento. Tem como princípio a concepção de que, assim como órgãos e outras estruturas corporais, o comportamento é produto e instrumento do processo de evolução através da seleção natural.

Para Eibl Eibesfeldt, o estudo com animais fornece hipóteses para se analisar questões do ser humano como, por exemplo, de que modo os genes e a cultura atuam sobre o homem.

“O comportamento de qualquer animal sofre influências ambientais e biológicas. E nos humanos, a superação da divisão biológico-cultural é especialmente necessária; pois se deve buscar compreender o comportamento humano na interação complexa de fatores biológicos e culturais”.

A Etologia compreende que qualquer predisposição biológica, comportamental, anatômica, fisiológica,  é moldada pelo ambiente físico e social. O ser humano apresenta grande capacidade de aprender, contudo essa aprendizagem não ocorre de forma aleatória. As origens do comportamento não estão somente no nascimento ou mesmo durante a vida, mas também durante a nossa história evolutiva.

Referências

Bussab, V. S. R., & Ribeiro, F. L. (1998). Biologicamente cultural. In L. Souza, M. F. Quintal Freitas & M. M. P. Rodrigues (Orgs.), Psicologia: reflexões (im)pertinentes (pp.175-193). São Paulo: Casa do Psicólogo.

http://www.cerebromente.org.br/n09/fastfacts/comportold_i.htm

http://www.flyfishingdevon.co.uk/salmon/year1/psy128ethology_experiments/ethexpt.htm

http://zoo2.zool.kyoto-u.ac.jp/ethol/showdetail-e.php?movieid=momo050707ga01b

Hipnose em Doentes Terminais

Especialistas defendem o uso da hipnose para doentes terminais: o tratamento fortalece o sistema imunológico.

comportamento.net

Autoridades dos mais importantes hospitais dedicados ao tratamento do cancro no Reino Unido pediram ao Ministro da Ciência da Escócia que invista nas experiências que investigam os benefícios da hipnose para os pacientes com doenças terminais.

Dois dos principais hospitais que lidam com tratamentos paliativos, o Marie Curie Cancer Care e o Macmillan Cancer Relief, acreditam que o tratamento pode reduzir a dor, aliviar o stress e até mesmo fortalecer o sistema imunológico dos portadores de câncer.

Seis hipnoterapeutas começaram a trabalhar com pacientes no hospital de Hunters Hill, da rede Marie Curie, em Glasgow, Escócia, e os dirigentes da instituição afirmam que, sem excepção, o tratamento tem trazido benefícios aos pacientes. Eles usam técnicas como “fortalecimento do ego” e “visualização” onde, em estado de transe, pode ser dito ao paciente que imagine as suas células cancerosas a serem destruídas por células saudáveis.

Entretanto, alguns oncologistas afirmam que muitos dos seus colegas se recusam a sancionar o tratamento dado que este campo é mal compreendido e muito pouco pesquisado. Susan Munroe, directora de operações para a Escócia do Marie Curie Cancer Care, afirmou que “em 100% dos casos, os pacientes relataram benefícios da hipnose”.

Dame Gill Oliver, do Macmillan Cancer Relief, também pede que maiores verbas sejam destinadas à pesquisa. “A hipnose devolve aos pacientes controle sobre seus corpos e podem ajudar as pessoas a lidar com os efeitos colaterais da quimioterapia. Mais pesquisas sobre a hipnose são necessárias, bem como para outros tratamentos complementares”.

Num artigo publicado em Setembro do ano passado (Clinical Hypnosis in the Alleviation of Procedure-Related Pain in Pediatric Oncology Patients), Christina Liossi, psicóloga da Universidade de Gales, Swansea, demonstra como a hipnose pode ser eficaz na redução da dor relacionada com o cancro. No seu estudo, ela verificou que as crianças que foram acompanhadas com hipnose, afirmaram terem sentido menos dores relacionadas com o cancro. Indicou ainda ter havido uma evidência temporária de que a hipnose prolongou a vida dos pacientes, acrescentando: “Temos agora evidências suficientes para encorajar novos estudos”.

Fonte: SundayHerald.com

Treinamento em Hipnose Clínica para Controle do Estresse e Dores Crônicas

Centro Médico da Coluna Vertebral – Fortaleza/CE


Como Parar de Roer Unhas

roer unhas

Se você já tentou parar o seu hábito de roer unhas, você reconhece o quanto ele pode ser desafiador. Talvez você tenha usado esparadrapos ou ataduras sobre os dedos, ou tentou passar algum produto com sabor amargo, ou até mesmo pimenta. Talvez esses métodos até tenham funcionado por um tempo, mas finalmente lá estavam as unhas e cutículas roídas novamente.

O hábito de roer as unhas é persistente e de natureza semelhante a outras manias relacionadas ao estresse e a ansiedade, inclusive escolhendo coçar a pele e arrancar os cabelos. Basicamente, estes comportamentos cumprem uma função psicológica e emocional, se o desejo não é eliminado ou saciado, o comportamento será reiniciado. Nenhuma quantidade de molho de pimenta nas unhas vai reduzir a necessidade de roer unhas ou trazer a sensação de relaxamento que você tem depois de ter roído suas unhas.

Nesse sentido, você não pode realmente se curar do “roer as unhas”, mas não se preocupe. Felizmente, terapias testadas pelo tempo estão disponíveis e podem ajudar na recuperação. Existe um tratamento de três etapas que podem eficientemente parar a mania de roer as unhas, mas você deve estar motivado a fazê-lo. O passo essencial envolve a hipnose.

Para os que não conhecem a técnica, a hipnose evoca imagens de pessoas balançando pêndulos ou sendo induzidas a comer cebola para a diversão de platéias em programas de tv. Tenha certeza de que na sua essência, a hipnose clínica é apenas um relaxamento profundo conduzido por um profissional saúde capacitado que leva a um estado mental favorável a mudanças de comportamento. Muitas pessoas acreditam erroneamente que transes hipnóticos são como o sono, mas durante a hipnose você fica acordado e completamente consciente, mas extremamente relaxado e receptivo a sugestões de mudanças.

Na verdade, a maioria de nós vivencia algum tipo de auto-hipnose todos os dias, durante os períodos em que ignoramos a maioria dos estímulos em torno de nós para nos concentrarmos em uma tarefa em particular. Isso acontece naturalmente quando nos sonhamos, lemos ou assistimos a um bom filme.

A causa do hábito de roer as unhas está relacionada ao estresse, o seu sucesso vai depender de como conseguirá manejar o estresse e aliviar a ansiedade e a tensão. O objetivo primário da hipnoterapia é mostrar-lhe como manter um estado de relaxamento sempre, o que é oposto a ansiedade e a tensão.

O próximo passo para inibir a tendência a roer as unhas é tomar consciência que esta ação de roer as unhas é feita inconscientemente. A hipnoterapia é eficaz para esta parte do tratamento, pois acessando a mente inconsciente se poder gerar a percepção da mente consciente de que você está roendo as unhas, o que pode ajudar muito a contornar a situação. Com a hipnoterapia se pode aprender a administrar o estresse, principal causador de desejo de roer as unhas, minimizando-o, ou mesmo erradicando-o, o hábito pode ser interrompido e o comportamento modificado para sempre.

A ação final para o uso hipnoterapia é erradicar totalmente o principal desejo de roer as unhas. Há intervenções que podem efetivamente fazer você renunciar a roer as unhas, porque assim como os hábitos podem ser desfeitos com a ajuda da hipnose, novos hábitos saudáveis também podem ser estabelecidos.

Certifique-se que o hipnoterapeuta seja psicólogo, ou médico, pois são profissões que, por lei, detém responsabilidades jurídica e ética sobre os tratamentos que aplicam. As técnicas utilizadas pelos profissionais para fazer sugestões benéficas para o seu inconsciente são totalmente diferentes de técnicas usadas para recuperação da memória ou regressão de idade. Assim, o uso de hipnoterapia para tratar a compulsão de roer as unhas não resultará em busca de traumas ou memórias indesejadas, o que acontece apenas em práticas amadoras ou místicas que fazem uso da hipnose.

CONCLUSÃO: Roer as unhas é uma compulsão, como qualquer outra, apenas a determinação consciente, geralmente, não é suficiente para eliminar este comportamento. O tratamento profissional usando a hipnoterapia e outras estratégias psicológicas disponíveis, garantirão os resultado mais breves e eficientes, conduzindo a uma intervenção bem sucedida para eliminar a compulsão de roer as unhas.

Texto original de: Alandensky
traduzido e adaptado por Leon Lopes, Psy. Ms.