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Medicina Comportamental e Modificação do Comportamento

Psicologia Clínica: imergindo para emergir

Exercer a psicologia clínica representa um mergulho arriscado em águas profundas e desconhecidas.
Neste mergulho, o psicólogo exerce a função de um topógrafo, que busca mapear o exterior repleto de culpa, medo, raiva, humilhação, sofrimento, desamparo, frustrações e experiências traumáticas.
É uma experiência que demanda envolvimento verdadeiro e mobilização, exigindo uma observação atenta e precisa, pois se está envolto em águas turvas. É um mergulho que impõe a quebra das suas próprias expectativas e juízos de valor.
A lógica deste oceano o desafia. É um mergulho em águas escuras, onde o exterior é sombrio e pode ser perigoso. O oxigênio é suprido pela íntima convicção de que este ambiente pode ser explorado, desvendado e compreendido.
Aos poucos, você começa a se habituar, começa a encontrar padrões e entender as relações. E, por incrível que pareça, descobre que a luz que vem de cima não é mais necessária, pois à medida que você afunda as águas começam a clarear, há luz própria vindo lá do fundo. Uma luz que clareia tudo de uma só cor, mas que permite revelar os melhores caminhos, os mais inteligentes, os mais seguros e também os mais deslumbrantes e significativos.
Esta é a hora que o mergulhador tem que voltar para a superfície. Está na hora de iniciar a descompressão, chegar à superfície, tirar os equipamentos e a roupa de mergulho, enfim, respirar livremente.
No final, o resultado do seu trabalho se traduz em um convite seguro e saudável para outras pessoas realizarem as suas próprias explorações e descobertas mais profundas.

Leon Vasconcelos, Psy Ms.
Diretor da Comportamento.Net

Tratamento Superficial com Hipnose

A hipnose já foi vedete na medicina, conquistando grandes defensores e também ferrenhos opositores, tudo isso começou na França pré-iluminista, por volta de 1750. O médico austríaco, Franz Anton Mesmer, foi o responsável pela transposição e adaptação de uma técnica proveniente dos tratamentos místico-religiosos, o transformando em um procedimento usado nos moldes da medicina tradicional. No entanto, o Dr. Mesmer foi somente o precursor da hipnoterapia, uma vez que todas as adaptações conceituais, técnicas e éticas para o modelo médico levariam, pelo menos, 150 anos para acontecer.

No século seguinte, a hipnose ganhou novamente destaque na medicina, desta vez, deixando de ser usada como um método generalista, para se concentrar no tratamento da histeria e de alguns outros transtornos mentais. Foram as observações iniciais do neurologista vienense, Sigmund Freud, que destacaram os benefícios clínicos no uso da hipnose, segundo ele, o tratamento (Freud, 1886):

“Consiste em dar ao paciente…  uma sugestão que contém a eliminação do distúrbio em causa. Assim, por exemplo, curamos uma “tosse nervosa” fazendo pressão sobre a laringe do paciente hipnotizado e assegurando-lhe que foi removido o estímulo que o faz tossir, ou curamos uma paralisia histérica do braço compelindo o paciente, sob hipnose, a mover o membro paralisado, parte por parte. O efeito até se torna maior se adotarmos um método posto em prática, pela primeira vez, por Joseph Breuer, em Viena, e fizermos o paciente, sob hipnose, remontar à pré-história psíquica da doença, compelindo-o a reconhecer a ocasião psíquica em que se originou o referido distúrbio. Esse método de tratamento é novo, mas produz curas bem-sucedidas, que, por outros meios, não são alcançadas.”

 

Por várias vezes, Freud se mostrou um grande entusiasta e defensor no uso da hipnose, realizando a tradução de dois livros sobre o assunto, porém, ao aprofundar seus estudos e sua experiência clínica, ele percebeu que a hipnose não realizava milagres e os muitos sintomas que pareciam desaparecer quase que imediatamente, poderiam retornar depois, ou se transformar em outros sintomas equivalentes. Assim, o paciente que teve eliminada a sua “tosse nervosa”, podia, por exemplo, desenvolver asma; outro paciente que havia sido curado de uma paralisia, depois retornava como uma dor crônica, e assim por diante.

Visando contornar esta situação, Freud desenvolveu uma forma alternativa de tratamento que ele chamou de “psicanálise”. Ele acreditava que a partir da escuta atenta à fala aleatória do paciente (chamada de método da associação livre), conseguiria chegar às causas das neuroses. Desse modo, se por um lado, a hipnose era um método com resultados imediatos –  embora, muitas vezes, ilusórios – por outro, a psicanálise, demandava anos de tratamento, talvez, uma vida inteira, e, ainda assim, não havia demonstrado qualquer eficácia terapêutica.

Contudo, mesmo tendo o inconveniente de, em alguns casos, apenas encobrir os sintomas, a hipnose parecia conseguir curar, de fato, alguns pacientes. Tal fato, longe de ser abandonado, mereceria, sim, ser amplamente pesquisado. E assim aconteceu. Os estudos e pesquisas sobre o uso da hipnose nunca pararam, ela possui o maior número de artigos e pesquisas publicados, maior do que qualquer outra psicoterapia (NASH, 2000), porém, a maioria das pessoas só tem acesso as partes superficiais e polêmicas da história, são as narrativas resumidas de seus professores, ou as informações da mídia, e se preocupar, realmente, em se aprofundar nos pormenores do conhecimento.

Atualmente, presenciamos a expansão das chamadas “Terapias Alternativas”, um movimento que tem levado pessoas, das mais diversas áreas, a se tornarem terapeutas. A oferta é sedutora: ser um profissional independente, ter o seu próprio consultório, ajudar as pessoas e ganhar dinheiro, na hora, tudo isso sem precisar fazer nenhuma faculdade de medicina, ou de psicologia, parece ser um verdadeiro “negócio da China”.

E embalado por este discurso sedutor tem surgido uma grande oferta de cursos de fim de semana, cada qual prometendo sempre a melhor formação, no tempo mais curto, e com a terapia mais sensacional de todas, o que, supostamente, justificaria os elevados preços desses cursos. Envolvidos emocionalmente pelo discurso, centenas de novos terapeutas tem surgido a cada ano, formados em cursos breves, geralmente, ministrado por outro terapeuta que usa a própria imagem pessoal como ilustração dos supostos benefícios e da prosperidade da nova profissão.

É neste contexto que o tratamento superficial com o uso da hipnose tem se ampliado e virado a atração do momento. Renomados especialistas já chamavam atenção para que ficássemos receosos, antes de ficarmos animados, toda vez que a hipnose se tornasse manchete nos jornais como sendo a boa menina, pois sempre que isso aconteceu na história, seguiu-se, posteriormente, um movimento de declínio e difamação no uso da técnica (Lazarus, 1971). Certamente, talvez não pelas próprias limitações da hipnose, mas pelas limitações técnicas e éticas daqueles que, entraram na onda, e a elegeram como o seu método mágico de cura.

Por conseqüência, temos uma massa cada vez maior de profissionais com muita informação superficial, mas pouco conhecimento específico e aprofundado sobre tópicos básicos da terapêutica psicológica. E isso faz com que boa parte dessas pessoas continue repetindo os mesmos erros do passado, semelhantes aos descritos por Freud, em 1886, ao usar a hipnose para sumir com os sintomas.

Quando Freud estudou a hipnose, as limitações eram do próprio conhecimento científico que não fornecia uma explicação plausível sobre a função dos sintomas. Mas parte deste problema já fora resolvida, há pelo menos cinqüenta anos, com as descobertas da psicologia experimental e comportamental. Os estudos com a análise funcional do comportamento, desenvolvidos pelos comportamentalistas, trouxeram maiores esclarecimentos sobre a dinâmica das doenças psicológicas.

Atualmente, o método genérico mais utilizado para o tratamento das fobias e até de outras doenças, é chamado de “método de exposição”. Ele é o mesmo utilizado no tratamento superficial com hipnose, muito embora poucos saibam que – nem sempre – o tratamento de uma fobia por este método leva, realmente, a cura do problema que gerou a fobia, podendo apenas criar uma ilusão de cura, como na técnica testada por Freud.

Uma vez que a terapia popular e alternativa não possui critérios rigorosos para avaliar a melhoria dos clientes, pode a simples notificação verbal de que “está se sentindo melhor”, ou mesmo o abandono precoce da terapia, serem julgados como um sinal de eficácia da terapia. Em uma análise criteriosa, Lazarus (1971) descobriu que até 50% dos pacientes tratados com exposição durante terapias comportamentais, tinham tido recaídas logo após os primeiros meses, sendo que os terapeutas que usavam as técnicas de exposição de maneira generalizada, mais atrapalhariam do que melhorariam o bom  andamento clínico dos pacientes.

Como ilustração, vejamos o caso clínico de fobia a pontes, tratado por Arnold Lazarus (1971). Antes, vale lembrar que as fobias são transtornos mentais que tem uma boa resposta a vários tipos de terapias, sejam elas embasadas em alguma terapêutica comprovada, ou não. O fator comum exigido nessas práticas é que o fóbico enfrente o seu medo progressivamente, ou repentinamente, não importa se foi ele encorajado porque estava usando uma fita do Senhor do Bonfim, por influência da sugestão hipnótica, ou porque acreditou que os seus “centros energéticos” foram equilibrados por um curandeiro.

A Fobia de Pontes
Paciente
: tenho medo de atravessar pontes.
Terapeuta: Você tem outros medos ou dificuldades?
P: somente as complicações vindas do meu medo de pontes.
T: De que modo isso tem afetado sua vida?
P: Tive que deixar um emprego excelente em Berkley
T: Onde você mora?
P: Em São Francisco
T: Para chegar a este instituto você teve que atravessar a Golden Gate.
P: Sim, eu estava indo a um médico, ele tentou me dessensibilizar, mas não conseguiu, aí me mandou consultar você, porque você sabe mais sobre esse tipo de tratamento. Não é tão ruim quando estou com minha mulher e minhas crianças, mas a Golden Gate tem um kilômetro e meio, é meu limite máximo.
T: Mas diga-me, por quanto tempo você tem tido este problema?
P: Há, mais ou menos quatro anos. Aconteceu de repente. Eu vinha do trabalho para casa e o tráfego estava muito lento. Repentinamente, entrei em pânico sem motivo algum. Nada como isso tinha acontecido antes. Senti que ia bater nos outros carros. Uma vez senti como se a ponte fosse desabar.
T: Voltemos para a primeira experiência de pânico. Você disse que vinha do trabalho para casa. Alguma coisa tinha acontecido no trabalho?
P: Nada de especial.
T: Você estava feliz no trabalho?
P: Claro! Eu esperava uma promoção.
T: Quanto a mais você ganharia?
P: Um extra de 3mil dólares ao ano.
T: E quanto ao trabalho, o quanto teria que fazer a mais?
P: Bem, eu seria um supervisor. Eu teria tido mais de cinqüenta homens trabalhando sob minhas ordens.
T: Como você se sentia com relação a responsabilidade a mais? Você sentiu que estava à altura, que podia arcar com ela?
P: Puxa! Minha mulher estava grávida de nosso primeiro filho. Ambos precisávamos de dinheiro extra.
T: Então, mais ou menos no tempo em que você ia ser pai, você deveria ser promovido. Você ia enfrentar dois papéis desafiadores. Você pai em casa e pai no trabalho. E isto aconteceu quando você começou a entrar em pânico na ponte, e acho que você nunca chegou a ser supervisor.
P: Não. Tive que pedir transferência para a cidade.
T: Agora pense com cuidado sobre esta questão. Você alguma vez se envolveu em qualquer acidente em uma ponte, ou próximo a uma ponte, ou testemunhou qualquer acidente sério numa ponte ou próximo a ela?
P: Não, que eu possa me lembrar.

T: Se você não tivesse desenvolvido a fobia e se tivesse se tornado supervisor, ganhando 3mil a mais, onde você pensa que estaria hoje?
P: Ainda em Berkley
T: Ainda supervisor? Mais dinheiro?
P: Que inferno! Quem sabe (risos)? Talvez eu fosse vice-presidente. Estou só brincando, mas poderia ter acontecido.

Vemos que Lazarus não se limitou ao “problema atual” partindo erroneamente para o tratamento sintomático com o uso da hipnose. Ele tratou, primeiramente, de descobrir se a fobia se tratava do problema, ou do sintoma. Assim, ele foi em busca da contextualização e da função do sintoma: como funcionava e para que servia; que fatores antecederam o aparecimento repentino; quais respostas mal-adaptadas precisavam ser eliminadas e quais precisavam ser adquiridas; o que estava por trás do sintoma, quais os fatores antecessores poderiam levar o paciente a um estado de vulnerabilidade?

Baseado na pesquisa dessas informações e do conhecimento da teroia da aprendizagem, a terapia foi desviada da queixa principal para desvendar uma história na qual o paciente, o mais novo de cinco irmãos, tendia a aceitar a previsão da mãe, de que, diferentemente de seus brilhantes irmãos mais velhos, ele nunca chegaria a nada. Tal crença funcionava como uma profecia que se autocumpria, provocando auto-sabotagem, distorções cognitivas e o aparecimento de sintomas de ansiedade sempre que o paciente se via numa situação de ascensão profissional.

Caso Lazarus tivesse utilizado a hipnose para tratar apenas a fobia a pontes, provavelmente, o paciente teria se livrado do medo, mas continuaria sujeito a desenvolver novos sintomas, toda vez que as condições ambientais se repetissem. Mas uma vez tratado o problema central, não apenas o sintoma, o paciente percebeu que o medo de pontes sumiu tão rapidamente quanto aparecera. Além disso, ele se tornou imune a novos incidentes, além de adquiriu mais confiança e segurança em si mesmo.

No tratamento meramente sintomático e superficial, os sintomas poderiam sumir rapidamente e dar a falsa impressão, tanto para o terapeuta, como para o paciente, de que tudo havia sido magicamente resolvido. Dando ao terapeuta a mesma sensação que Freud havia descrito, em 1886:

“…havia algo de positivamente sedutor em trabalhar com o hipnotismo. Pela primeira vez havia um sentimento de haver superado o próprio desamparo, e era altamente lisonjeiro desfrutar da reputação de ser fazedor de milagres.” (Freud, 1886).

Para terapeutas pouco seguros não haveria algo mais gratificante, mas pouco humilde e até perigoso, se fechar em uma redoma e se autoconsiderar um verdadeiro realizador de milagres. Este risco reforça a importância das publicações científicas que aprofundam e promovem o progresso e o aperfeiçoamento das terapias. Algo que deve ser incansavelmente buscado por todos aqueles que optam por trabalhar com a terapêutica psicológica e/ou promoção da saúde.

A hipnose continua sendo uma grande ferramenta no arsenal de técnicas e de procedimentos psicoterapêuticos, mas seu uso deve ser cuidadosamente pensado dentro de modelo mais amplo e legitimado de terapia. A aferição de resultados deve ser consistente com a metodologia científica, devendo o paciente responder questionários específicos de avaliação, passados seis e doze meses da terapia. Utilizar a hipnose sozinha, como pau para toda obra, sem levar em conta os avanços do conhecimento psicoterapêutico, é simplificar e limitar as possibilidades de um tratamento realmente bem sucedido. Baseado nestas premissas, cito a máxima, de Martin Orne:

“If a person is not professionally qualified to treat something without hypnosis, then they’re not qualified to treat something with hypnosis, either.

“Se a pessoa não está profissionalmente qualificada para tratar alguém sem hipnose, então, ela também não estará qualificada para tratar alguém com hipnose.”

 

FREUD, 1886. (Obras Brasileiras Completas Standart Edition). CD-ROM.
LAZARUS. Psicoterapia Personalista: uma visão além dos princípios do condicionamento: Manole, 1971.
NASH, M. R. The Status of Hypnosis as an Empirically Validated Clinical Intervention: a preamble to the special issue. International Journal of clinical and Experimental Hypnosis, v.48, n.2, April, p.107-112. 2000. 

Leon Vasconcelos Lopes, Psy Ms.
Diretor da Comportamento.Net

Hipnose como prova judicial?

Se chama “hipnose forense” o procedimento que é realizado por um perito médico, ou psicólogo, afim de que uma pessoa possa, por exemplo, lembrar do rosto de assaltantes, ou da placa do carro que os bandidos usaram. No entanto, somente esta informação pode dar a impressão de que a hipnose funciona de modo equivalente a um “soro da verdade”, mas o que acontece é justamente o contrário!

Usar hipnose é antes de tudo usar a imaginação para criar imagens, sons, cheiros, gostos, ou demais sensações, sendo esses fenômenos conhecido como capacidade ideosensorial. É devido a essa capacidade que o hipnotizador de palco faz o hipnotizado comer uma cebola achando que é uma maçã!

O mesmo procedimento pode ser usado para a pessoa sentir um braço mais leve, ou pesado, sentir que as mãos estão coladas, ou deixar o corpo rígido e ser colocada apoiada com os pé e pescoço entre duas cadeiras. Nesses casos, os fenômenos são chamados de ideomotores. Isto é, o uso sa imaginação para sugerir uma resposta motora.

Da mesma forma que a hipnose faz uso das sugestões ideosensoriais e ideomotoras, há também as sugestões que são direcionadas para os processos mentais, ou cognitivos. Neste grupo estão incluídas as lembranças, o raciocínio, e a criatividade. E é aqui que a coisa complica!

Quando um médico usa sugestão ideosensorial para convencer o paciente de que ele não sentirá dor, no momento em que ele fizer a incisão com o bisturi, todos aqueles que não estão hipnotizados podem comprovar que, de fato, o médico fez a cirurgia. A prova factual será o sangue e o ferimento em si.

Mas no caso de que o paciente ser questionado para lembrar o número de uma placa, ou do rosto de um bandido, não há qualquer garantia de que a lembrança seja factual, ou simplesmente uma criação, ou confusão da memória. E é justamente por isso que os relatos obtidos a partir da hipnose não são considerados provas, mas, apenas, indícios, ou pistas, que devem ser averiguadas pela polícia.

Se, por exemplo, o número lembrado coincidir com a placa do carro de um suspeito, já envolvido em outros crimes, a polícia buscará investigar o suspeito e assim por diante. Por isso, um rosto, uma placa, ou um dado qualquer derivado de hipnose, não terá qualquer peso, ou privilégio, a mais do que o relato obtido sem a hipnose.

O fato da hipnose favorecer a capacidade criativa e a formação de falsas lembranças fizeram com que a Sociedade de Psicologia Americana sugerisse o uso da “entrevista cognitiva” em circunstâncias forenses, pois esta técnica fora criada buscando minimizar os efeitos da sugestão sobre as testemunhas.

E quanto a suposta capacidade de “hipermnésia”, ou seja, de que com a hipnose as pessoas seriam capazes de ter uma super memória e lembrar de coisas há muito esquecidas? Pesquisas contestaram o mito da hipermnésia.

Em estudos comparativos não houve diferenças significativas entre as lembranças de pessoas que foram hipnotizadas e questionadas sobre dados de sua infância, comparadaas com pessoas que passaram apenas por uma sessão de relaxamento.

As diferenças só aparecem quando os dados solicitados não podem ser checados por fontes indenpentes. Por exemplo, se uma pessoa é hipnotizada e lhe é perguntado qual a cor da roupa que ela usou no seu aniversário de 12 anos, o hipnotizado pode responder com toda segurança: “verde”. Mas uma foto batida no aniversário contradiz o relato e mostra que a cor da roupa era “branca”. Se não houver uma fonte externa e independente, não haverá como saber ao certo a resposta para tal pergunta.

Portanto, se a pessoa lembrar durante a hipnose que foi molestada sexualmente durante a infância, seja por um parente, ou por um extraterreste (abdução), mas não houver qualquer evidência externa, não há como distinguir se se trata de uma lembrança de algo factual, ou de algo ficcional. É por isso que as psicoterapias não são usadas para a busca de “verdades”, mas para ajudar os pacientes a se compreenderem melhor e aperfeiçoar suas habilidades racionais, emocionais e comportamentais.

Por isso, lembre-se: memória não funciona como a gravação de uma fita de vídeo e a hipnose não funciona como video-cassete!

Leon Vasconcelos, Psy Ms.
psicólogo especialista em hipnoterapia
e modificação do comportamento

Curso de Capacitação Clínica

Para se candidatar a uma vaga no nosso curso, envie um email de solicitação contendo os dados abaixo (As vagas são destinadas, prioritariamente, a profissionais da saúde e profissionais que trabalham com terapia e orientação profissional):
1. Qual a sua motivação para realizar o curso?
2. Faça um breve resumo da sua história profissional, incluindo, nível de instrução, cursos de graduação, ou pós-graduação, que fez ou está fazendo, e ocupação atual.

 

 

Capacitação Profissional em Psicoterapia Breve

Capacitação Profissional em
Psicoterapia Breve

com ênfase em hipnose clínica e terapia cognitiva

O curso visa a capacitar profissionais de saúde para a realização de avaliação do sofrimento humano e elaboração de intervenções por meio de um conjunto de técnicas psicológicas e comportamentais, orientadas por um modelo estruturado e breve de terapia, que visa à promoção da saúde e a superação rápida de transtornos emocionais e psicossomáticos. Um curso dinâmico, minuncioso e envolvente!
Docentes: Dr Leon Vasconcelos Lopes, divulgador e pioneiro no uso da hipnoterapia, no Ceará. Tem 11 anos de prática clínica e de ensino da hipnose clínica. Possui dupla graduação em psicologia e graduação em comunicação social, especialista em hipnose clínica, formado em hipnoterapia ericksoniana, mestre em saúde coletiva, e o primeiro pesquisador brasileiro a estudar a hipnose na saúde coletiva.
Convidados: profissionais de referência na área da medicina e saúde.
Público Alvo: profissionais e estudantes de psicologia, medicina, fisioterapia, terapeutas e orientadores profissionais.
Seleção: análise curricular (Clique aqui para se candidatar a uma vaga)
Investimento: total à vista R$3000,00 – ou 10 parcelas de R$320,00 (Valores válidos para inscrições realizadas até 20/02). Inscrição R$150,00.
Período: Mensal, de Março (30/03) a Outubro -  Sextas 19-22:00 e Sábados – integral .
Metodologia: Aulas teórico-vivenciais, dramatizações, aprendizagem baseada em problemas, estudo dirigido durante os intervalos do curso e supervisão clínica.
Material Didático: amplo material, incluindo vídeos clínicos, áudios, scripts, textos, artigos, exercícios e filmes.
Máximo de Alunos por turma: 25
Apenas duas Turmas em 2012: Fortaleza e Teresina
Inscrições: Centro Médico da Colunca -  Av. Santos Domunt, 5753, sala 206, Torre de Saúde I – Anexo São Mateus.
Email de contato: cursos2012@comportamento.net.
Após o deferimento da seleção curricular, o aluno deverá realizar o pagamento da taxa de inscrição de R$150,00 para garantir sua vaga.
*Os estudantes capacitados farão parte de um grupo seleto de profissionais que terão seus contatos profissionais divulgados em nosso site e de colaboradores nacionais e internacionais.
Conteúdo Programático
A Mente Humana
Hipnose e a Neurociência Cognitiva
História da Psicoterapia
Termos Técnicos em Hipnose Clínica
Modelos Conceituais da Hipnose
O Transe na Perspectiva Evolucionista
Introdução à Etologia Humana – apego
Realidade e Neurociência
Bases do Comportamento Humano
Psicofisiologia da Percepção, Atenção e Memória
O Sono, fases e novas descobertas
Ondas Cerebrais e Equipamentos de Neurofeedback
Especialização e Plasticidade Cerebral
Verdades e Mitos sobre Hipnose
A Ética e os Riscos na Hipnose
Efeito Place e Efeito Nocebo
Bio-Rapport
O Processo Hipnótico
Leis da Hipnose
Princípios da Sugestão Hipnótica
Tipos de Induções Hipnóticas
Imagens Mentais Associadas e Dissociadas
Orientação para atividades e exercícios
Formas de Sugestão
Teorias e Fenômenos Hipnóticos
Psicopatologia e Hipnose Clínica
Pareidolia ,Tendenciosidade e Falsas Memórias
A Utilização de Âncoras
Submodalidades
Princípios da Modificação do Comportamento
Estilos Cognitivos
Fraseado Hipnótico
Banco de Artigos Clínicos e Científicos
Técnicas de Indução e Avaliação II
Induções Clássicas
Método da Fixação do Olhar
Exercício da Levitação da Mão
Elaboração de Exercícios de Hipnose
Indução direta para Anestesia
Testes e Exercícios de Suscetibilidade – SHC
Esquema de uma Indução Completa
Orientação para atividades e exercícios
A Linguagem Ericksoniana
As Formas de Linguagem Indireta
Resistência a Hipnose
Personalidades e Induções Hipnóticas
A Hipnose Aplicada a Educação
Técnicas de Indução e Avaliação III
Entrevista Sugestiva Indireta
Técnicas Cognitivas
Demonstrações
Indução Hipnótica por Evocação
Indução por Utilização
Elaboração e Estudo de Roteiros
Estrutura das Sugestões
Padrões de Comunicação Hipnótica
Testes de Suscetibilidade Indiretos
Padrões de Comunicação
Orientação para atividades e exercícios
A prática clínica
Hipnose Clínica e Dor Aguda
Hipnose Clínica e Dor Crônica
Hipnose Clínica e Estresse
Procedimento Geral na Hipnose Clínica
Elaboração de Ficha e Formulários do Paciente
Personalidade e Tratamento
Técnicas de Indução Avançadas e Avaliação IV
Hipnoterapia Básica Demonstração
Regressão de memória
Viagem no tempo e espaço
Regressão/Progressão Temporal – “Vida Passada ou Futura”
Alucinações e Amnésia
Seminário de Auto-aperfeiçoamento
Supervisão Clínica
Exame de Capacitação Clínica
Orientação para Prática Clínica

Felicidade e vida longa

Ser feliz não significa apenas viver melhor, como também viver mais.

De acordo com um novo estudo, pessoas felizes têm expectativa de vida maior. Pessoas mais velhas tinham até 35% menos chances de morrer durante o estudo de cinco anos se elas relataram sentirem-se felizes e animadas em um dia típico.

E isso não dependia de saúde ou dinheiro: as chances de viver mais continuaram as mesmas mesmo quando os pesquisadores levaram em conta fatores como problemas crônicos de saúde, depressão, e segurança financeira. A felicidade por si só era um fator para viver mais.

Estudos anteriores sobre felicidade e longevidade dependeram principalmente da capacidade dos participantes de lembrar como se sentiram durante um determinado período de tempo no passado.

Essas lembranças nem sempre são precisas. Sendo assim, no novo estudo, os pesquisadores pediram que mais de 3.800 pessoas registrassem os seus níveis de ansiedade, felicidade, e outras emoções em quatro momentos específicos ao longo de um único dia (típico na vida dela).

Os participantes, que estavam entre as idades de 52 e 79 anos quando o estudo começou, foram divididos em três grupos de acordo com o quão felizes e positivos se sentiam.

Embora os grupos diferissem ligeiramente em algumas medidas (como idade, riqueza, e tabagismo), foram comparáveis em termos de composição étnica, educação, status, emprego e saúde em geral.

Cinco anos depois, 7% das pessoas no grupo menos feliz haviam morrido, comparado com apenas 4% no grupo mais feliz e 5% no grupo do meio.

Quando os pesquisadores controlaram para a idade, depressão, doenças crônicas, comportamentos de saúde (tais como exercício físico e consumo de álcool), e fatores socioeconômicos, eles descobriram que as pessoas mais felizes ou média felizes eram 35% e 20% menos propensas a morrer, respectivamente, do que suas contrapartes mais infelizes.

Pode parecer absurdo que os sentimentos de uma pessoa em um determinado dia sejam capazes de prever a probabilidade de morrer em um futuro próximo, mas esses instantâneos emocionais têm provado ser uma boa indicação de temperamento geral em estudos anteriores.

Ao contrário das medidas de felicidade, os sintomas de depressão não foram associados com taxas de mortalidade, uma vez que os pesquisadores os ajustaram para a saúde global. Segundo o estudo, isso sugere que a ausência de felicidade pode ser uma medida mais importante de saúde em pessoas mais velhas do que a presença de emoções negativas.

Emoções positivas podem contribuir para uma melhor saúde física em uma série de maneiras. Regiões do cérebro envolvidas na felicidade também estão envolvidas na função dos vasos sanguíneos e inflamação, por exemplo, e estudos têm mostrado que níveis de cortisol, o hormônio do estresse, tendem a aumentar e diminuir com a emoção.

O estudo não prova que a felicidade (ou a infelicidade) afeta diretamente a expectativa de vida de uma pessoa, mas as descobertas significam que os médicos devem prestar muita atenção ao bem-estar emocional de pacientes mais velhos.

Notícias Comportamento.net – fonte: CNN

A Comportamento.net foi criada pelo como um local para divulgação de informações relativas à medicina comportamental, área que destaca as influências das condutas e comportamentos sobre a qualidade da saúde física e mental dos seres humanos.

Medicina Comportamental

Nos últimos vinte anos, houve uma diminuição de mortes causadas por doenças infecciosas nos países mais industrializados e ricos, devido a aquisição de hábitos higiênicos, como beber água tratada e tomar vacinas, etc.

No Brasil essas doenças também diminuíram e a expectativa de vida do homem adulto é hoje maior. No entanto, as doenças infecciosas foram substituídas por doenças como as cardiovasculares, o câncer, a dor crônica, depressão, entre outras doenças em que fatores comportamentais aparecem em sua origem, desse modo são consideradas “doenças do estilo de vida”.

Pesquisas mostram que muitas pessoas com queixas de dores estavam passando por uma fase de problemas familiares, emocionais e estresse. Essas conclusões permitiram que as consultas para esse tipo de paciente fossem mais detalhadas e os médicos evitassem internações desnecessárias. Outras formas de intervenção eram necessárias.

A denominação atual desse tipo de comportamento é “somatização”. Esse distúrbio é caracterizado por um padrão de comportamento no qual a angústia e a aflição são relatadas como queixas de sintomas físicos vagos ou gerais como: dor, gastrite, fadiga, sem uma causa orgânica. Essas pessoas, segundo pesquisas, têm mais dias de incapacitação, mais queixas físicas, interações sociais reduzidas e disfuncionais. E custam ao hospital nove vezes mais do que a média dos pacientes.

A somatização por ser explicada como uma deficiência de aprendizagem, o qual repercute no relato de queixas físicas sem causa orgânica. Isso acontece porque a pessoa não aprendeu a identificar a diferença entre físico e emocional e nomeá-los adequadamente.  Pode também ter acontecido porque, em sua história de vida, era mais aceito o relato de dor física e muito pouco ensinado e aceito o relato emocional.

Portanto, o relato de estados internos e sua nomeação não foram adequadamente aprendidos.  A análise das condições nas quais aparece esse padrão de comportamento de queixar-se é deficiente, isso provoca um círculo vicioso e o paciente julga-se incompreendido e frustrado, quando não medicado, ou internado, tornando o seu estresse maior e os sintomas relatados mais numerosos. Além disso, o seu relato se assemelha ao da pessoa deprimida, pois torna-se acrescido de desamparo e fadiga.

Texto adaptado de: Rangé Bernard. Psicoterapia comportamental e
cognitiva. Medicina Comportamental, Rachei RodrigueS Kerbauy, RJ.

A Filosofia da Mente e a Prática Clínica

Buscar compreender a estrutura da mente humana e o porquê do comportamento das pessoas é uma idéia que instiga os seres humanos, desde o início da nossa civilização.

Uma das primeiras tentativas de compreensão racional do comportamento humano surgiu na Grécia Antiga, centeneas de anos antes de Cristo, e por mais que pareça antiga, muitas das idéias iniciais fertilizaram o terreno para as questões que a ciência investigaria dois mil anos depois.

Dentre as concepções filosóficas que moldaram a percepção dos pesquisadores, há duas que podem ilustrar a complexa natureza do conhecimento humano e a busca pela “verdade”.  Começaremos com o ponto de vista de Immanuel Kant (1724-1804), pois suas idéias se tornaram um pilar para as concepções intelectuais ocidentais no século XVIII. Kant defendia que o conhecimento é uma invenção de um organismo ativo que interage com o meio ambiente ao seu redor. Essa posição vai conceber uma visão construtivista da realidade, ou seja, a mente humana cria suas representações da realidade como um subproduto das interações com o meio ambiente. Em oposição à Kant, está a proposta de John Locke (1602-1704), o criador do empirismo britânico, que defendia que o conhecimento seria resultado de uma “impressão” do mundo externo numa mente humana, as semelhanças da escrita em uma página em branco(1).

Notemos que Locke é mais antigo que Kant, embora seja a filosofia de Locke que vai ter uma influência marcante na origem do conhecimento científico, que nessa época dá seus passos iniciais. Para Locke, as imagens mentais são “representações” de algo fora do organismo, enquanto para Kant essas mesmas imagens mentais são, basicamente, criações de uma interação com o ambiente.

Agora sim, podemos fazer nossa ponte para a prática da psicologia clínica. Conhecimentos que buscaram compreender a mente humana a partir da perspectiva de Locke, como a Psicanálise Clássica, foi construída em torno da crença de que a verdade objetiva pode ser descoberta sobre a realidade (O mapa é o Território). A descoberta dessa “verdade objetiva” e, portanto, certa, propiciaria a melhora da saúde. Você já deve ter ouvido falar da “teoria do trauma”, a proposta que busca fazer regressão para encontrar, no passado, a causa de algum transtorno comportamental do presente.

De encontro a essa perspectiva clássica, adotada desde o surgimento da ciência, e que persiste até hoje em muitas áreas acadêmicas, está a visão construtivista e mais recente, aquela provenientes das idéias de Kant. Na prática clínica, adotar uma postura construtivista significa dizer que uma boa intervenção psicológica gera suas próprias verdades. Ou seja, os terapeutas objetivistas acreditam poder descobrir o que realmente aconteceu no passado, enquanto os terapeutas construtivistas estão mais interessados na “história”, como uma chave para a narrativa que está sendo elaborada e que dará aos eventos presentes o seu significado (O mapa não é o território).

Assim, se uma paciente relata um sonho incestuoso e em seguida põe em dúvida a sua veracidade, a ênfase não estaria em descobrir se o incesto ocorreu ou não, mas, preferencialmente, nas verdades inerentes ao sonho, nas condições que ela experimentou na sua vida que poderiam conduzir a tal sonho. Desse modo, a intervenção terapêutica que envolve a recuperação de memórias geraria suas próprias verdades, criações presentes e atuais.

Experiências relativamente simples, evidenciam o papel construtivista da nossa memória. Realize hoje uma autobiografia contanto detalhes marcantes da sua vida, guarde esse material selado em um envelope. Repita o mesmo procedimento, cinto anos mais tarde. Abra então o envelope antigo e compare os dois relatos. Você perceberá que, muito embora alguns fatos possa se repetir nas duas autobiografias, a forma de contar os mesmos eventos terá sido mudada. Alguns eventos terão sido esquecidos e outros lembrados.

Se estamos sempre reelaborando nossas próprias auto-compreensões e memórias, independente de qualquer terapia, então, não há razão para buscar numa verdade objetiva e imutável do passado como justificativa de transtornos presentes. A compreensão do momento atual e de suas interrelações funcionais se torna uma valiosa ferramenta para a modificação do comportamento. É no presente que se encontram as razões do passado e as expectativas e motivações para o futuro. Alguém que diz estar “preso ao passado”, não percebe a liberdade do presente e vive conforme a tradição de John Locke, acreditando em uma verdade objetiva e imutável sobre a realidade.

Referências:
(1) – Kohlenberg, R. (1991) Psicoterapia Analítica Funcional: criando
relações terapeuticas intensas e curativas. Esetec, São Paulo.

Leon Vasconcelos Lopes
22 – Agosto – 2011

Saiba o que é Fobia Social

comportamento.net

“Fobia” é o termo médico usado para descrever uma doença psiquiátrica que tem como principal característica o medo intenso e descomunal de objetos, ou de situações, que para a maioria das pessoas não representa ameaça alguma. Nas fobias específicas, o medo é focalizado a um objeto, ou a uma situação específica, tais como: medo de trovões, medo de barata, medo de pássaros, medo do escuro, medo de anões, medo de lugares fechados, medo de sangue, entre outras centenas de medos.

Diferente da fobia específica, que se fixa a um objeto particular, a fobia social pode envolver um conjunto de situações sociais. A pessoa com fobia social irá apresentar um padrão de pensamentos, emoções, comportamentos e respostas fisiológicos, associado ao medo de se expor, ou de ser julgado por outras pessoas, o que a faz evitar situações sociais.

As fobias sociais, freqüentemente, se iniciam na adolescência.  Os casos mais comuns são: o medo de expressar os seus próprios sentimentos; medo de se comunicar com superiores; medo de dizer não a um pedido; medo de se relacionar com o sexo oposto; medo de comer ou falar em público, e, em alguns casos, pode se estender a todas as situações sociais fora do contexto familiar.

O tratamento que tem demonstrado maior eficácia na superação da fobia social é a Terapia Cognitiva Comportamental. Ela trabalha sobre os três sistemas básicos de resposta do organismo: o cognitivo (pensamentos, julgamentos, valores); fisiológico (resposta automáticas, ansiedade, hipertensão); e comportamental  (a atitude diante da ameaça, lutar ou fugir).

O trabalho cognitivo da terapia avalia as percepções e auto-julgamentos do paciente, que são distorcidos e se transformam em crenças disfuncionais, alimentando o processo fóbico. São exemplos de auto-julgamentos e crenças disfuncionais, pensamentos do tipo:

“Sempre fui um fracasso para falar em público.”

“Os outros notam o meu nervosismo.”

“É vergonhoso parecer ansioso na frente dos outros.”

“As pessoas vão rir de mim.”

“Eu sinto que não consigo falar direito as palavras.”

“Tenho medo que as pessoas falem mal de mim.”

Os pacientes com fobias sociais mantêm padrões excessivamente elevados para a avaliação do seu próprio desempenho. Eles nutrem um modelo tendencioso de avaliação que funciona como um ciclo vicioso e, desse modo, fortalece as crenças disfuncionais (Range, 1995).

Os sintomas fisiológicos incluem a ansiedade aguda, quando o paciente se encontra diante de uma situação que não pode ser evitada, e sintomas somáticos, tais como: taquicardia, tremor, espasmos musculares, sudorese, distúrbios gastrintestinais, tontura, mãos geladas, entre outros.

O tratamento desses sintomas é feito mediante o uso de técnicas de relaxamento e de hipnose. Segundo Kaplan*“a  hipnose é usada para amplificar a sugestão do terapeuta de que o objetivo fóbico não é perigoso, e a auto-hipnose pode ser ensinada ao paciente como um método de relaxamento, quando confrontado com o objeto fóbico”.

Já o enfoque comportamental irá abordar técnicas de enfrentamento e estratégias de ação para superar os impedimentos na vida profissional, sexual e social dos pacientes.

Assim, a terapia comportamental pode utilizar como recurso no tratamento da fobia social, o treinamento em habilidades Sociais – THS e a exposição para realização de dessensibilização das respostas de medo (Range, 1995).

O tratamento das fobias sociais exige muita atenção e habilidade do terapeuta para analisar os diversos processos psicológicos que provocam a resposta de medo. Ao contrário da fobia específica, apenas o enfrentamento, na maioria dos casos, não é suficiente para tratar a fobia social, pois os pacientes podem apresentam debilidade nas suas habilidades de comunicação e na forma como julgam o seu próprio desempenho.

Kaplan (1997) alerta para o risco de não tratamento desses transtornos, pois o sofrimento associado com as fobias pode levar a complicações psiquiátricas adicionais, incluindo outros transtornos de ansiedade, transtornos depressivos e transtornos relacionados a substâncias, especialmente por uso de álcool.

Referências
(1997) Kaplan, H. Compêndio de Psiquiatria: ciências do comportamento e psiquiatria clínica. Ed. 7a. São Paulo, p566.
(1995) Rangé, B.  Psicoterapia Comportamental e Cognitiva de Transtornos Psiquiátricos. Campinas.

escrito por:
Leon Vasconcelos Lopes

Psicólogo – Hipnoterapeuta