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Estudando os animais para compreender o homem

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macaco

As pinturas em cavernas revelaram que desde a pré-história os animais já eram objetos de observação e admiração dos homens. Mas foi somente a partir da década de 1930 que o comportamento animal passou a ser estudado cientificamente. Konrad Lorenz e Nico Tinbergen foram os dois pesquisadores responsáveis por fundar a Etologia, uma disciplina do conhecimento científico que estuda a evolução do comportamento animal.

Os primeiros experimentos realizados por Tinbergen buscavam descobrir quais os tipos de comportamentos dos animais eram inatos, ou seja, fruto de um instinto natural selecionado a partir do processo de evolução das espécies.  Para responder a essa pergunta, Tinbergen observou o comportamento de vários animais. Um peixe chamado esgana-gata possuia um comportamento agressivo durante o período de procriação. O peixe criava um ninho no fundo do lago e tentava atriar as fêmeas para aquele local. Caso um macho rival aparecesse, ele partia para o ataque.

A partir dessas observações, Tinbergen criou um esgana-gata isolado em um aquário, para ter certeza de que seu comportamento não era aprendido. Na época de acasalamento, o peixe construiu o ninho no fundo do aquário e Tinbergen usou uma réplica de outro esgana-gata ver o que acontecia: o peixe, então, atacou imediatamente a réplica.

A partir daí, Tinbergen percebeu que aquele comportamento era algo determinado geneticamente, mas ele queria saber qual, exatamente, era o estímulo que desencadeava o ataque. Em busca dessa resposta, ele fez vários modelos de peixe para testar diferentes estímulos visuais, mudando a cor e a forma do modelo. Ele também testou vários movimentos e, ao final, descobriu que os modelos com barriga vermelha e que executavam movimentos verticais produziam ataques mais ferozes do peixe.

Konrad Lorenz também realizou centenas de experimentos com animais, o que o levou a descobrir um comportamento que ele chamou de “Imprint”, ou “Impressão”. Animais como os patos, assim que nascem, se fixam na imagem do primeiro animal, ou objeto móvel, que estão perto deles e passam a sergui-lo como se fossem sua mãe. O próprio Lorenz se tornou a “mãe” de centenas de patos que ele criava em sua fazenda, os animais o seguiam por terra, água e ar. Vejam no vídeo abaixo:

Até então, a Etologia parecia apenas mais um ramo interessante da biologia, que descrivia e estudava o comportamento dos animais, mas os etologistas se voltaram para observar um novo e curioso animal, o homem. Quando Tinbergen e Lorenz começaram a estudar o comportamento humano, os psicólogos comportamentais passaram a se rebelar, pois Skinner, um dos maiores especialistas em aprendizagem e condicionamento, defendia que os seres humanos não estavam mais sujeitos a comportamentos instintivos e inatos, mas sim, a comportamentos aprendidos.

A medida que os experimentos da Etologia foram evoluindo, ganhavam também cada vez mais credibilidade. Pesquisas realizadas com bebê, mostravam que eles possuiam comportamentos reflexos inatos, devirados de sua evolução biológica. Pouco tempo após nascerem, os bebês eram capazes de se segurar firmemente a uma corda e lá ficar pendurados, comportamento associado a sua ancestralidade que remontava a época de primatas arborícolas.

Outro grande pesquisador da Etologia Humana, Eibl-Eibesfeldt, realizou diversas pesquisas sobre o comportamento verbal em humanos, chegando a conclusão de que haviam padrões universais de sorrisos e de novimentação das pálpebras.

Com a evolução das pesquisas e da metodologia empregada nos estudos Etológicos, a preocupação com o inato ou adquirido, passou a ter papel secundário. A Etologia evoluiu para buscar compreender as funções do comportamento e sua realção com o meio físico e cultural. Novos pesquisadores da psicologia também aderiram à etologia e a antiga rivalidade entre etólogos e psicólogos comportamentais se tonou algo do passado, pelo menos, para os profissionais atualizados. Atualmente, a Etologia Humana é um campo interdisciplinar da Biologia e Psicologia.

Os estudos etológicos visam comprender melhor a evolução biológica dos nossos comportamentos e como os fatores ambientais podem modelar o comportamento. Tem como princípio a concepção de que, assim como órgãos e outras estruturas corporais, o comportamento é produto e instrumento do processo de evolução através da seleção natural.

Para Eibl Eibesfeldt, o estudo com animais fornece hipóteses para se analisar questões do ser humano como, por exemplo, de que modo os genes e a cultura atuam sobre o homem.

“O comportamento de qualquer animal sofre influências ambientais e biológicas. E nos humanos, a superação da divisão biológico-cultural é especialmente necessária; pois se deve buscar compreender o comportamento humano na interação complexa de fatores biológicos e culturais”.

A Etologia compreende que qualquer predisposição biológica, comportamental, anatômica, fisiológica,  é moldada pelo ambiente físico e social. O ser humano apresenta grande capacidade de aprender, contudo essa aprendizagem não ocorre de forma aleatória. As origens do comportamento não estão somente no nascimento ou mesmo durante a vida, mas também durante a nossa história evolutiva.

Referências

Bussab, V. S. R., & Ribeiro, F. L. (1998). Biologicamente cultural. In L. Souza, M. F. Quintal Freitas & M. M. P. Rodrigues (Orgs.), Psicologia: reflexões (im)pertinentes (pp.175-193). São Paulo: Casa do Psicólogo.

http://www.cerebromente.org.br/n09/fastfacts/comportold_i.htm

http://www.flyfishingdevon.co.uk/salmon/year1/psy128ethology_experiments/ethexpt.htm

http://zoo2.zool.kyoto-u.ac.jp/ethol/showdetail-e.php?movieid=momo050707ga01b

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